Os combustíveis fósseis são responsáveis ​​por aproximadamente 90% de todas as emissões de carbono causadas pelo homem, que estão causando aquecimento global, acidificação dos oceanos e alimentando desastres climáticos sem paralelo. Michal Krakowiak / E+ / Getty Images
Os combustíveis fósseis são responsáveis ​​por aproximadamente 90% de todas as emissões de carbono causadas pelo homem, que estão causando aquecimento global, acidificação dos oceanos e alimentando desastres climáticos sem paralelo. Michal Krakowiak / E+ / Getty Images

Estudo alerta: combustíveis fósseis impulsionam crises climáticas, de saúde e biodiversidade

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Um relatório publicado na revista Oxford Open Climate Change reúne evidências científicas contundentes sobre os impactos dos combustíveis fósseis na crise climática, na saúde pública e na perda de biodiversidade. A análise, conduzida por cientistas do Center for Biological Diversity e de várias universidades, lança um apelo urgente por mudanças estruturais na matriz energética global.

“A ciência não pode ser mais clara: os combustíveis fósseis estão nos matando”, declarou Shaye Wolf, diretora de ciência climática do centro. “A energia limpa está disponível, é acessível e pode salvar milhões de vidas e trilhões de dólares.”

Crises interligadas: clima, saúde e justiça ambiental

A revisão destaca como a queima de petróleo, gás e carvão está na raiz de múltiplas crises. Além de gerar cerca de 90% das emissões globais de carbono, os combustíveis fósseis contribuem diretamente para:

  • Poluição do ar e da água;
  • Doenças respiratórias, neurológicas e câncer;
  • Aumento da taxa de nascimentos prematuros e leucemia infantil;
  • Acidificação dos oceanos;
  • Eventos climáticos extremos;
  • Perda acelerada de biodiversidade.

O estudo também ressalta que, se o uso dessas fontes continuar sem restrições, até um terço das espécies de plantas e animais podem desaparecer nas próximas décadas.

Injustiça ambiental e comunidades vulneráveis

Outro ponto central da análise é o impacto desproporcional dos combustíveis fósseis sobre comunidades de baixa renda e pessoas negras, indígenas e de cor. Segundo o professor Robin Saha, da Universidade de Montana, décadas de políticas discriminatórias concentraram atividades poluentes nessas regiões, tratadas como “zonas de sacrifício”.

A revisão propõe que essas áreas sejam priorizadas em políticas públicas de transição energética, com investimentos em infraestrutura limpa e remoção de estruturas poluentes.

Transição viável e necessária

Os cientistas afirmam que a eliminação gradual dos combustíveis fósseis é possível com tecnologias já disponíveis. A transição deve incluir:

  • Proibição da expansão de novas explorações fósseis;
  • Adoção de energias renováveis acessíveis e justas;
  • Redução da produção de plásticos derivados de petróleo;
  • Estímulo à agricultura sustentável para frear a poluição petroquímica.

“A poluição por combustíveis fósseis afeta a saúde em todas as fases da vida”, destaca David JX González, professor da Universidade da Califórnia em Berkeley. “Precisamos agir rapidamente para substituir essa infraestrutura por energia saudável.”

A barreira da desinformação

A revisão também denuncia a campanha bilionária de desinformação da indústria de combustíveis fósseis. Segundo a historiadora da ciência Naomi Oreskes, da Universidade de Harvard, essa estratégia visa esconder os riscos e atrasar políticas de mitigação, ao mesmo tempo em que as empresas recebem subsídios públicos massivos.

“Já passou da hora de parar de financiar essa indústria destrutiva”, afirmou Oreskes.

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