Após sete anos de proibição, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) autorizou a retomada do turismo ecológico com barcos na Ilha dos Lobos, localizada no litoral norte do Rio Grande do Sul, próximo ao município de Torres. A liberação marca um novo momento para a região, que abriga espécies como lobos-marinhos-sul-americanos e leões-marinhos-do-sul, que migram até o local especialmente durante o inverno.
A previsão é que os passeios regulados com embarcações sejam permitidos ainda no primeiro semestre de 2025, com regras claras: sem desembarque na ilha e sem qualquer tipo de interação direta com os animais.
Proibição teve início em 2018 para proteger a fauna
O turismo na Ilha dos Lobos foi interrompido em 2018 como medida de precaução para avaliar o impacto da aproximação de barcos na fauna marinha. O retorno das atividades só foi autorizado agora, após a elaboração e aprovação de dois documentos fundamentais: o plano de manejo da unidade (2023) e o plano de uso público (dezembro de 2024).
Segundo o chefe do Refúgio de Vida Silvestre da Ilha dos Lobos (Revis), Juliano Rodrigues Oliveira, a retomada dos passeios pode fortalecer a conservação.
“As pessoas vão defender mais a unidade de conservação quando puderem conhecê-la. Além disso, essas atividades vão gerar renda e incentivar o ecoturismo local”, afirmou.

O que torna a Ilha dos Lobos tão especial?
Localizada a apenas 1,8 km da costa de Torres (RS), a Ilha dos Lobos é um importante refúgio para mamíferos marinhos e aves migratórias. As espécies que visitam o local anualmente — como os lobos e leões-marinhos — vêm da Argentina e do Uruguai em busca de alimento e águas mais quentes durante o inverno.
Protegida desde 1983 como reserva ecológica, a área foi transformada em Refúgio de Vida Silvestre (Revis) em 2005. Dois anos depois, passou a ser gerida pelo ICMBio. Desde então, a unidade ganhou importância tanto científica quanto ambiental.
Como funcionará o turismo ecológico na Ilha dos Lobos?
De acordo com o ICMBio, dois tipos de passeios embarcardos serão permitidos:
- Turismo comercial: embarcações previamente credenciadas pelo ICMBio, com autorização para venda de passeios ao público.
- Turismo particular: embarcações próprias como lanchas e botes, mediante agendamento gratuito e cumprimento das normas.
Além disso, atividades como caiaque e stand up paddle também poderão ser regulamentadas. Já o mergulho recreativo e o surf tow-in — uma antiga demanda dos surfistas locais — ainda estão em análise pelo instituto.
As regras de distância mínima e limite de passeios por dia ainda serão estabelecidas oficialmente, e o descumprimento das normas poderá acarretar cassação da autorização.
Estudos respaldam o retorno das atividades
A decisão de retomar os passeios com embarcações se baseia em pesquisas do projeto “Torres para o Mar”, que não identificaram impactos negativos sobre os animais marinhos com a presença de barcos próximos à ilha.
Essa reabertura com base científica reforça o papel do turismo de base ecológica como ferramenta de educação ambiental, geração de renda e apoio à conservação da biodiversidade.


