O secretário-executivo da UNFCCC, a convenção de clima da ONU (Organização das Nações Unidas), Simon Stiell, está no Brasil cumprindo agenda com foco na COP30, que será realizada neste ano em Belém — Foto: Divulgação

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Transição energética é irreversível e países que resistirem perderão espaço, alerta secretário da ONU

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O secretário da Convenção-Quadro da ONU sobre Mudança do Clima (UNFCCC), Simon Stiell, afirmou durante sua visita ao Brasil que a transição para energia limpa é um caminho sem volta e que os países que não se comprometerem com esse processo correm o risco de perder protagonismo global. Em encontro realizado no Instituto Rio Branco, em Brasília, com o presidente da COP-30, André Corrêa do Lago, Stiell destacou a necessidade de metas ambiciosas para a redução das emissões de gases de efeito estufa e a criação de mecanismos de financiamento climático eficazes. Segundo ele, a mudança para a energia limpa não apenas reduzirá a poluição, mas também trará crescimento econômico, novos empregos e maior segurança energética. Ele alertou que países que tentarem recuar nesse compromisso serão substituídos por outros que já estão se posicionando para colher os benefícios dessa transformação.

A questão do financiamento climático foi um dos principais pontos abordados por Stiell, que deixou claro que esse investimento não deve ser visto como caridade, mas sim como um mecanismo fundamental para garantir a estabilidade econômica e social em meio às crescentes crises climáticas. Ele mencionou o acordo fechado na COP-29, em Baku, no Azerbaijão, no qual os países concordaram em mobilizar US$ 300 bilhões até 2035 para ajudar nações em desenvolvimento a mitigar os impactos das mudanças climáticas. No entanto, o valor está longe do necessário, estimado em US$ 1,3 trilhão. Stiell destacou que essa quantia deve ser vista como um ponto de partida e não como um limite final, reforçando que o financiamento climático é essencial para garantir segurança alimentar e a resiliência das cadeias de suprimentos diante dos desastres naturais.

Durante sua participação no evento, o secretário expressou confiança no papel do Brasil na condução da COP-30 e na implementação de ações concretas para o avanço da pauta climática. Ele ressaltou que o Brasil tem um histórico de colocar questões fundamentais no centro das discussões e acredita que a conferência em Belém poderá resultar em avanços reais. Ele também enfatizou que o evento será realizado na cidade paraense, afastando rumores de que a reunião de chefes de Estado poderia ser transferida para outra localidade devido a desafios de infraestrutura.

Ao ser questionado sobre a saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris e a suspensão do financiamento climático pelo governo americano, Stiell evitou respostas diretas, mas ressaltou que, apesar das retóricas contrárias ao combate às mudanças climáticas, há avanços significativos sendo feitos em diversos países. Ele reconheceu que ainda existe um grande descompasso entre as metas estabelecidas e as ações concretas realizadas pelos governos, mas reforçou que há uma movimentação global irreversível em prol da transição energética.

Sobre a posição do Brasil em defender a transição para energias renováveis enquanto ainda busca explorar petróleo na foz do Rio Amazonas, Stiell fez uma comparação com outros países produtores de petróleo que presidiram edições anteriores da COP, como os Emirados Árabes Unidos e o Azerbaijão. Para ele, é importante focar nos resultados alcançados, como a inédita menção à necessidade de transição para o fim dos combustíveis fósseis no acordo final da COP-28, em Dubai, e o avanço na meta de financiamento climático estabelecida na COP-29. Ele concluiu que, independentemente das contradições, o mais relevante é garantir que as políticas públicas e investimentos globais estejam alinhados com um futuro sustentável.

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