As Conferências das Partes (COPs), organizadas sob a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), são os principais eventos globais destinados a enfrentar a crise climática. Desde a primeira reunião em 1995, as COPs têm sido palco de negociações, acordos históricos e, muitas vezes, frustrações frente à urgência climática. Este artigo oferece uma visão detalhada das COPs, destacando seus marcos e desafios desde a COP 1 até a COP 29.
Os primeiros passos: COP 1 a COP 3 e o Protocolo de Quioto
A COP 1, realizada em Berlim, Alemanha, em 1995, foi um marco inicial para estabelecer compromissos diferenciados entre países desenvolvidos e em desenvolvimento. Nesse evento, reconheceu-se a necessidade de ações mais ambiciosas para conter as emissões de gases de efeito estufa. Essa discussão culminou na COP 3, em Kyoto, Japão, em 1997, com a adoção do Protocolo de Quioto.
O Protocolo comprometeu países industrializados a reduzir suas emissões em 5,2% em relação aos níveis de 1990. Apesar de inovador, enfrentou sérias limitações, como a ausência de adesão dos Estados Unidos e a falta de mecanismos para incluir países em desenvolvimento, que na época não tinham metas obrigatórias.
Da COP 4 à COP 15: crescimento, crises e reavaliações
Entre as COPs 4 e 15, realizadas entre 1998 e 2009, as negociações enfrentaram uma série de desafios políticos e econômicos. A COP 15, realizada em Copenhague, Dinamarca, em 2009, ficou marcada pela tentativa de estabelecer um novo acordo climático global. Apesar de grandes expectativas, os resultados foram limitados, resultando apenas no Acordo de Copenhague, que não tinha caráter vinculativo, mas reconheceu a necessidade de limitar o aumento da temperatura global a 2°C.
Durante esse período, emergiram iniciativas paralelas, como os Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL) e debates sobre transferências tecnológicas e financiamento climático, questões que continuariam a dominar as discussões futuras.
O marco histórico: a COP 21 e o Acordo de Paris
A COP 21, em Paris, em 2015, é amplamente considerada o maior marco das negociações climáticas. O Acordo de Paris estabeleceu como meta limitar o aquecimento global a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais, reconhecendo os impactos devastadores de ultrapassar esse limite.
Pela primeira vez, quase todos os países assumiram compromissos climáticos, conhecidos como Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs). Esses compromissos foram voluntários, mas vinculados a um sistema de revisão e aumento de ambição a cada cinco anos. Apesar do otimismo inicial, os avanços na implementação do Acordo de Paris têm sido desiguais e, em muitos casos, insuficientes para alcançar as metas climáticas.
COP 26 e COP 27: o foco em “perdas e danos”
A COP 27, realizada no Egito em 2022, marcou um avanço significativo ao estabelecer um fundo para “perdas e danos”, destinado a ajudar países vulneráveis a lidar com os impactos das mudanças climáticas. No entanto, ainda há incertezas sobre como esses recursos serão alocados e administrados.
A COP 26, em Glasgow, Reino Unido, em 2021, trouxe promessas de novos compromissos, como a eliminação gradual do uso de carvão e o aumento do financiamento climático. No entanto, a falta de metas claras para cortar emissões e a resistência de alguns países em desenvolvimento dificultaram avanços concretos.
COP 28 e COP 29: reflexões recentes
A COP 28, em Dubai, foi palco do primeiro balanço global das metas do Acordo de Paris, revelando que muitos países estavam longe de cumprir suas promessas climáticas. A conferência também enfatizou a transição energética como um dos pilares para a mitigação climática, mas enfrentou críticas pela presença significativa de lobistas do setor de combustíveis fósseis.
Já a COP 29, realizada no Azerbaijão em 2024, focou em regulamentar o mercado de carbono e promover maior ambição nos compromissos financeiros de países desenvolvidos. Apesar de discussões importantes, os resultados foram vistos como aquém do necessário, com poucos avanços concretos em áreas críticas, como adaptação e financiamento para países em desenvolvimento.
Desafios e Expectativas para a COP 30
Com a COP 30 programada para ocorrer em Belém, no Brasil, em 2025, há uma expectativa global de que o evento traga um novo impulso às negociações climáticas. O Brasil, com suas vastas florestas tropicais, é um ator estratégico para a agenda climática global, e espera-se que o evento aborde temas como a proteção da Amazônia, a inclusão de comunidades indígenas e a promoção de soluções baseadas na natureza.
Três décadas de avanços e desafios
Desde a COP 1, as Conferências das Partes têm desempenhado um papel central na mobilização global contra as mudanças climáticas. Apesar de avanços importantes, como o Protocolo de Quioto e o Acordo de Paris, a implementação de ações concretas ainda está aquém do necessário para evitar os piores cenários climáticos.
Com a ciência apontando para a urgência de limitar o aquecimento global a 1,5°C, as futuras COPs terão a missão crítica de transformar promessas em ações efetivas, unindo governos, sociedade civil e setor privado em um esforço coordenado e global.
Fontes:
http://en.cop15.dk/climate+facts/process/cop1+%E2%80%93+cop14
http://unfccc.int/meetings/items/2654.php
https://inesc.org.br/
https://brasil.un.org
Veja também:
- 2024: o ano mais quente já registrado e a primeira vez acima de 1,5°C
- Recorde de temperaturas oceânicas em 2024: um alerta global
- Análise revela que 1% mais rico consumiu sua parcela do orçamento de carbono em apenas 10 dias
- Energia renovável representou 62,7% da eletricidade da Alemanha em 2024
- O Acordo de Paris: um marco na luta contra as mudanças climáticas




