A temperatura média global em 2024 atingiu 1,55°C acima dos níveis pré-industriais, ultrapassando pela primeira vez o limite de 1,5°C estipulado pelo Acordo de Paris. Essa marca histórica reforça a urgência em combater a crise climática e seus impactos devastadores em todo o mundo.
Um ano de recordes climáticos
Especialistas da Organização Meteorológica Mundial (OMM) confirmaram que 2024 foi o ano mais quente já registrado. Clare Nullis, porta-voz da OMM, destacou a gravidade do cenário: “Vimos temperaturas extraordinárias na terra e no mar, calor oceânico extremo e eventos climáticos devastadores que afetaram vidas, meios de subsistência e ecossistemas.”
Entre os seis conjuntos de dados analisados pela OMM, quatro mostraram temperaturas médias globais acima do limite de 1,5°C. Embora o Acordo de Paris preveja o controle do aquecimento a longo prazo, a meta enfrenta sérios riscos. Celeste Saulo, Secretária-Geral da OMM, alertou: “Cada fração de grau de aquecimento importa. Com cada incremento, aumentam os impactos em nossas vidas, economias e no planeta.”
Calor extremo e seus efeitos
Em julho de 2024, cerca de 44% da superfície terrestre foi atingida por estresse térmico “forte” ou “extremo”, segundo dados do Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus (C3S) da União Europeia. Este percentual é 5% maior do que a média máxima anual anterior. O calor intenso foi responsável por eventos climáticos extremos, como enchentes em Valência, furacões nos EUA, tufões nas Filipinas e secas na Amazônia.
Dra. Samantha Burgess, vice-diretora do C3S, explicou que as altas temperaturas e níveis recordes de vapor de água na atmosfera global intensificaram ondas de calor e chuvas extremas, causando sofrimento a milhões. Em média, as pessoas enfrentaram seis semanas adicionais de calor perigoso em 2024.
O Papel dos oceanos no aquecimento
O aumento das temperaturas oceânicas desempenhou um papel crucial nos recordes de 2024. Segundo a OMM, o conteúdo de calor do oceano aumentou o equivalente a 140 vezes a produção total de eletricidade do planeta entre 2023 e 2024, com os 2.000 metros superiores do oceano registrando calor sem precedentes. Este aquecimento, que armazena 90% do calor excedente causado pelo aquecimento global, é um indicador crítico das mudanças climáticas.
A Dra. Friederike Otto, do Grantham Institute for Climate Change, enfatizou: “Um ano de clima extremo mostrou o quão perigosa é a vida a 1,5°C. O mundo não precisa inventar soluções mágicas; já sabemos que é preciso abandonar combustíveis fósseis, parar o desmatamento e tornar as sociedades mais resilientes.”
A necessidade de ação imediata
O secretário-geral da ONU, António Guterres, reforçou que ultrapassar o limite de 1,5°C em anos individuais não significa o fracasso do Acordo de Paris, mas sim um alerta para intensificar os esforços climáticos. Ele convocou governos a apresentarem planos atualizados em 2025 para limitar o aquecimento global e evitar catástrofes ainda maiores. “Ainda há tempo para evitar o pior da crise climática, mas os líderes precisam agir agora.”
O que está em jogo
As altas temperaturas de 2024 destacam a urgência de ações climáticas robustas. As metas globais podem ser alcançadas, mas somente com uma redução acelerada no uso de combustíveis fósseis, proteção dos ecossistemas e investimentos em energias renováveis e infraestrutura resiliente. Como declarou Clare Nullis, “a história do clima está se desenrolando diante dos nossos olhos”.
Este recorde global não é apenas uma estatística; é um lembrete de que cada grau conta. A mitigação e adaptação às mudanças climáticas são mais essenciais do que nunca para proteger o futuro do planeta.




