Movimento do Consórcio do Caparaó criou a identidade da região

Movimento do Consórcio do Caparaó criou a identidade da região

Na época que a movimentação surgiu para transformar uma área linda em turismo e preservação, quase não existiam estradas, telefone, consciência ambiental e poucos moradores entendiam a importância do Parque Nacional do Caparaó, no Sul do Espírito Santo. Já se passaram 26 anos, depois que pessoas resolveram lutar pelo Caparaó Capixaba, muita coisa aconteceu, entre as vitórias está a abertura da Portaria Capixaba, em Pedra Menina, Dores do Rio Preto, no ano de 1997. Mas a principal premiação é ver na comunidade a sensação de pertencimento, o amor que transforma e cuida, sem falar que muita gente chegou para fazer história nessas terras. Desafios? Ainda são muitos, mas o crescimento do lugar já pode ser visto na última década.

Ninguém melhor do que Dalva Ringuier, que foi Diretora do Consórcio do Caparaó por anos, e também que foi protagonista nesta história, para relembrar e valorizar cada passo feito nesta estrada. Hoje, ela não está mais no Consórcio do Caparaó, seguiu outros rumos, mas mora no limite de dois municípios, Dores do Rio Preto e Divino de São Lourenço e bem aos pés, do Parque Nacional do Caparaó. Os processos vêm se aperfeiçoando, pessoas novas chegando e também deixando marcas.

“Tudo começou com um processo histórico chamado Fórum Caparaó, em 1995, planejamos um Modelo de Desenvolvimento que a região tivesse. Não tinha turismo, internet, estrada e ninguém tinha ouvido falar dessas questões climáticas, de como o Parque Nacional influenciava a vida das pessoas. Trabalhamos no Fórum no Dia Mundial do Meio Ambiente, reunindo sete municípios na rede Gazeta, em Vitória. Todos os municípios assinaram um protocolo de intenção. Várias outras entidades vieram para fortalecer, na medida que fomos avançando, foram surgindo propostas e desafios. Fomos então a Brasília, no dia 22 de setembro de 1998”, destaca Dalva.

Cama e Café

Uma completa mudança na região, mas se não tinha estrada, celular e circuitos, onde as pessoas iriam se hospedar? Foi então que surgiu o Cama e Café, donos de propriedades abriram as portas para receber visitantes, eles dormiam, tomavam café e ainda desfrutavam do que o Caparaó tem de melhor: a hospitalidade. Essa forma acolhedora de receber os visitantes, como amigos que sempre querem o melhor. Esse projeto quase não existe mais na região, mas virou modelo e seguiu para muitos lugares, um exemplo aconteceu no bairro de Santa Tereza, na capital do Rio de Janeiro.

“Fizemos muitas ações durante esses anos, projetos de turismo na região, ouve o despertar dos locais, pessoas novas chegaram e novas ações também foram feitas. Hoje, o Café é reconhecido internacionalmente. Tudo valeu a pena, mesmo as coisas que deixam um pouco de angústia. Tem dois anos que sai da Diretoria do Consórcio do Caparaó. Sou muito feliz por morar no pé do Parque Nacional do Caparaó e em dois municípios”, lembra Dalva.

Bilhetes no leite

Se hoje temos o whastaap e todas as redes sociais para a comunicação, naquela época da implementação das ideias, mal existia o telefone fixo na região. Os idealizadores inventaram um sistema chamado carinhosamente por eles de: interleite. Foram os bilhetes que eram mandados no carro do leite. “Só para lembrar o Fórum era Itinerante, ele circulou durante três anos em todos os municípios da região, chegando aos 11. Não tínhamos comunicação nenhuma na época, então, os bilhetes através do carro do leite deram certo, tanto que conseguíamos reunir até 600 pessoas, o que hoje mesmo com toda tecnologia é quase impossível.

Foi assim que o Consórcio começou a ter mais voz, a região que não tinha identidade, apenas conhecida como Sul do Espírito Santo, se tornou o Caparaó Capixaba. Apoio importante dado pela Assembléia Legislativa da época. Foi feito os Planos de Desenvolvimento de cada município, tudo foi pensado, do saneamento até os cursos de educação ambiental que aconteciam todos os anos. Sem falar que na cultura o Consórcio também deixou suas marcas, o “Mova Caparaó” exibiu 90 documentários de contos e casos verídicos do Caparaó.

Novos desafios

Muitas coisas que estão acontecendo preocupam quem começou todo esse movimento na região, mais do que nunca é preciso que as autoridades de cada um dos 11 municípios que fazem parte do Caparaó Capixaba cobrem os licenciamentos devidos, para que a área tenha ordenamento de fato. “As pessoas estão comprando terrenos, sem ordenamento do solo, fazendo construções irregulares. Não está sendo feito um controle das construções em áreas de APP e também em áreas de risco. A questão do lixo é um grande desafio, a população precisa ter conhecimento suficiente para saber descartar corretamente o lixo seco e o úmido. Resíduos sólidos e também fazer o planejamento urbano, o lixo está indo todo misturado. O lixo é nosso e não é da Prefeitura”, reclama Dalva.

Ainda de acordo com Dalva, as pessoas que vivem na zona rural não têm tratamento de água, até porque recebem do que vem na fonte, das nascentes. Mas o esgoto e o lixo são grandes desafios, está saindo um projeto do Banco Mundial chamado “Águas e Paisagem”, que vai contemplar os municípios de Dores do Rio Preto, Divino de São Lourenço, Iúna, Irupi e Ibatiba. Tudo praticamente pronto para começar a funcionar. Esse projeto pode marcar época e transformar a vida das comunidades.

Saiba mais:


A microrregião Caparaó, no lado do Espírito Santo, é composta de 11 (onze) municípios que são: Alegre, Divino de São Lourenço, Dores do Rio Preto, Guaçuí, Ibatiba, Ibitirama, Irupi, Iúna, Muniz Freire, São José do Calçado e Jerônimo Monteiro.

Perfazendo uma área de 3.426 Km2, representando cerca de 8% do território do Estado Santo, possuindo uma população em torno de 171.189 hab (IBGE, 2007), do total da população 45% encontram-se no meio urbano e 55% no meio rural. Esta região abriga O PARNA CAPARAÓ com uma área de 31.000 ha.

Maior “caixa d´água” do Espírito Santo, o Caparaó abriga as bacias hidrográficas dos rios Itapemirim, Itabapoana e Santa Maria do Rio Doce, afluente do Rio Doce, além da maior unidade de conservação do estado, onde a Mata Atlântica pulsa exuberante, com toda a sua biodiversidade e belezas naturais.


Fonte: Consórcio do Caparaó
Fotos: arquivo pessoal, foto facebook Consórcio Caparaó.