Em um cenário de mudanças climáticas e instabilidade global, a segurança alimentar da humanidade repousa em estruturas discretas, mas monumentais: os bancos de germoplasma. Atualmente, cerca de 1.700 dessas instituições ao redor do mundo resguardam a agrobiodiversidade necessária para alimentar as futuras gerações.
Costa Rica: O berço genético do café e cacau
A Costa Rica, que abriga até 6% da biodiversidade global em apenas 0,03% da superfície terrestre, é sede do Catie (Centro de Pesquisa Agrícola Tropical e Ensino Superior). Localizado em Turrialba, o centro gerencia uma coleção de domínio público com mais de 3.000 variedades de café e cacau.
- Melhoramento genético: O Catie desenvolve plantas mais produtivas (até 2.000 kg por hectare) e resistentes a doenças como a “vassoura-de-bruxa”, que afeta produtores brasileiros.
- Cafés de especialidade: A instituição foi fundamental para disseminar a famosa variedade Geisha, cujo quilo já alcançou o preço recorde de US$ 30.000.
- Quarta maior do mundo: Segundo a FAO, a coleção de café do Catie é a quarta maior do planeta e a segunda das Américas, atrás apenas do Instituto Agronômico (IAC) em Campinas, Brasil.
O “cofre do juízo final” na Noruega
O símbolo máximo dessa proteção é o Banco de Sementes de Svalbard, situado em um arquipélago norueguês próximo ao Polo Norte. Inaugurado em 2008 e apelidado de “Arca de Noé das plantas”, o local foi projetado para resistir a terremotos, explosões e ao aumento do nível do mar.
- Freezer natural: Mantido a -18°C e protegido pelo permafrost (solo congelado), o banco armazena quase 1,4 milhão de amostras de sementes.
- Backup global: Svalbard funciona como uma cópia de segurança. Em 2015, amostras enviadas da Síria foram usadas para recompor um banco genético destruído pela guerra em Aleppo.
- Participação brasileira: Em 2025, agricultores familiares de Ibarama (RS) enviaram mais de 50 variedades de sementes crioulas para o cofre norueguês.
O protagonismo da Embrapa no Brasil
O Brasil possui um dos sistemas mais robustos de conservação: o Banco Genético da Embrapa (BGE), em Brasília.
- Capacidade gigante: O BGE pode preservar mais de 1 milhão de amostras, incluindo DNA vegetal, animal (sêmen e embriões) e microrganismos.
- Criopreservação: Além do congelamento tradicional, utiliza nitrogênio líquido a -196°C para manter a viabilidade do material genético por tempo indeterminado.
- Soberania nacional: A preservação desses materiais é vista por especialistas como uma questão de soberania, garantindo que o Brasil tenha os genes necessários para adaptar suas plantações a novas pragas ou secas extremas.
Fonte: www.umsoplaneta.globo.com




