Papiro Anastasi I; folha 1; Texto literário hierático: “A Carta Satírica”, 4 de fevereiro de 2026.
( Crédito da foto : The Trustees of the British Museum )
Papiro Anastasi I; folha 1; Texto literário hierático: “A Carta Satírica”, 4 de fevereiro de 2026. ( Crédito da foto : The Trustees of the British Museum )

Gigantes bíblicos? Papiro egípcio de 3.300 anos cita guerreiros de altura incomum em Canaã

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Um documento do Antigo Egito, guardado no Museu Britânico desde o século XIX, voltou ao centro de um debate arqueológico e bíblico. O Papiro Anastasi I, também conhecido como “A Carta Satírica”, está sendo apontado pela Associação para a Pesquisa Bíblica (ABR) como uma evidência histórica da existência de povos gigantes que habitavam a região de Canaã.

Escrito há mais de três milênios, o papiro é tradicionalmente interpretado como uma troca de correspondências irônicas entre dois escribas militares, descrevendo os desafios de uma expedição egípcia. No entanto, detalhes sobre a estatura dos inimigos encontrados no caminho sugerem algo além da sátira.

Os “gigantes” Shashu

De acordo com traduções baseadas nos estudos do egiptólogo Alan Gardiner, a carta menciona o povo Shashu, uma tribo nômade cananeia. O texto descreve esses guerreiros com uma altura de quatro a cinco “côvados reais egípcios”.

  • A estatura: Convertendo para medidas modernas, isso significaria indivíduos com altura entre 2,30 m e 2,60 m.
  • Precisão militar: A ABR argumenta que, embora a carta tenha tons irônicos, o autor enfatiza a necessidade de precisão nas descrições militares, o que daria credibilidade aos dados sobre o tamanho dos oponentes.

Evidências em relevos e cerâmicas

Para sustentar a tese de que não se tratava de exagero literário, os pesquisadores citam relevos da Batalha de Kadesh (século XIII a.C.). Nestas esculturas, espiões Shashu são retratados sendo capturados por egípcios.

“É comum que egípcios representem faraós como gigantes por simbolismo de poder, mas é muito raro retratarem seus inimigos com tamanha magnitude física”, observa a análise da ABR.

Além do papiro, fragmentos de cerâmica no Museu de Berlim mencionam o termo “Iy Aneq”, que muitos associam aos Anakim (analequitas) — os gigantes citados no livro bíblico de Números.

Escultura egípcia antiga mostrando espiões Shasu sendo espancados por egípcios, 4 de fevereiro de 2026. (crédito: Wikimedia Commons)

Conexão com Golias e o rei Ogue

A organização relaciona esses achados a outras figuras famosas das escrituras, como Golias (o filisteu derrotado por Davi) e Ogue, o rei de Basã, cujo “leito de ferro” descrito em Deuteronômio sugeria uma estatura monumental. Para os defensores dessa teoria, os registros egípcios seriam a peça que faltava para confirmar que esses relatos bíblicos tinham uma base em encontros reais com grupos de estatura fora do padrão.

Fonte: JPost

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