Compartilhar no facebook
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Arthur Soffiati

Arthur Soffiati

- Historiador com doutorado na Universidade Federal do Rio de Janeiro, colaborador com a imprensa e autor de 26 livros.

Rios e lagoas de São Francisco de Itabapoana

Numa perspectiva simples, classifiquemos os ecossistemas aquáticos continentais em três tipos: 1- os que mantêm contato permanente com o mar; 2- os que mantém contato periódico com o mar; e 3- os que não mantêm contato com o mar. Para compreender os ambientes aquáticos encontrados nos limites do município de São Francisco de Itabapoana, não podemos dissociá-los de sua base geológica. Como vimos, o território municipal situa-se sobre a ponta norte da maior restinga do Estado do Rio de Janeiro e sobre o maior tabuleiro do norte fluminense.

Os mais antigos sistemas aquáticos são rios que descem da serra, passando pelos tabuleiros ou nascendo neste, para desembocar no mar. São Francisco de Itabapoana está limitado, ao norte, pelo rio Itabapoana. Ao sul, pelo rio Paraíba do Sul. Ao centro, corre o rio Guaxindiba. Entre os três, correm pequenos rios que sofreram muito com o desmatamento, com a erosão, com o assoreamento e com as barragens. Entre eles, contamos, de norte para sul, as lagoas Salgada e Doce (ambas rios antigos barrados na foz), os ribeirões de Guriri, de Tatagiba (conhecido como Baixa do Arroz em sua nascente) e de Buena, os córregos de Barrinha e de Manguinhos, o rio Guaxindiba. As lagoas de Sesmaria, Imburi, Saudade, Santa Maria, Brejo Grande e outra menores.

1- rio Itabapoana; 2- lagoa Salgada; 3- lagoa Doce; 4- ribeirão Guriri; 5- ribeirão Tatagiba; 6- ribeirão Buena; 7- córrego Barrinha; 8- córrego Manguinhos; 9- rio Guaxindiba; 10- rio Paraíba do Sul
1- rio Itabapoana; 2- lagoa Salgada; 3- lagoa Doce; 4- ribeirão Guriri; 5- ribeirão Tatagiba; 6- ribeirão Buena; 7- córrego Barrinha; 8- córrego Manguinhos; 9- rio Guaxindiba; 10- rio Paraíba do Sul

Examinando a Carta Geológica do Brasil, folha Campos-S. Tomé, produzida por Alberto Ribeiro Lamego em 1954, e a Carta do Brasil, folhas Morro do Coco, Barra Seca, Itabapoana, Travessão e São João da Barra, do IBGE, ainda é possível levantar o contorno dessas bacias. Barradas pela grande restinga construída pelo rio Paraíba do Sul e pelo mar, restinga que se estreita a partir de Manguinhos até reduzir-se à fita arenosa da praia, todas elas transformaram-se em lagoas alongadas mantendo comunicação periódica com o mar pela abertura natural ou humana de suas barras. Apenas os rios Itabapoana, Guaxindiba e Paraíba do Sul continuaram com a barra permanentemente aberta. Este último, o maior de todos, vem sofrendo redução progressiva de vazão, o que acarreta o fechamento de seu braço principal.

Foz do rio Itabapoana
Foz do rio Itabapoana

Ao norte, proveniente da Serra da Mantiqueira, distende-se o rio Itabapoana, que foi usado para estabelecer os limites entre os Estados do Espírito Santo e do Rio de Janeiro. Correndo por um leito cheio de desníveis, trata-se de um curso d’água encachoeirado que desemboca no mar e mantém sua barra permanentemente aberta. No seu trecho final, ele corre numa planície aluvial. Funcionando como barreira hídrica, ele contribuiu para a formação da restinga de Marobá.

O braço meridional do delta do rio Paraíba do Sul constitui o limite entre os municípios de São Francisco de Itabapoana e São João da Barra. A formação geológica deste rio tem uma história muito rica, descrita por Alberto Ribeiro Lamego e, recentemente, pelos geólogos Kenitiro Suguio, Jean-Marie Flexor, Louis Martin e José Dominguez. Para Lamego, ele desaguava numa baía rasa, em mar aberto. Pouco a pouco, o rio foi sedimentando a baía e correndo para o sul. Entre os atuais cabo de São Tomé e Barra do Furado (que, na época, não existiam), ele formou um delta do tipo pé de ganso. Depois, seu leito bifurcou-se, caminhando um braço para o norte e constituindo seu atual desaguadouro com dois braços. A interpretação recente sustenta que o Paraíba do Sul desaguava no interior de uma laguna semiaberta para o mar, sedimentando-a progressivamente. O primeiro braço do delta a alcançar o mar foi o atual. Este rio construiu a planície aluvial e a lagoa Feia, ajudando a estruturar a maior restinga do estado. Sua foz conta com muitas ilhas.

Foz do rio Guaxindiba
Foz do rio Guaxindiba

Ao reter areia transportada pelo mar, o rio permitiu que se formasse uma grande restinga. Foi ela que aprisionou a maior lagoa de São Francisco de Itabapoana, em parte no território de Campos: a lagoa do Campelo. Outras lagoas de restinga são as do Comércio, da Tabua, do Meio e da Praia, em Gargaú. Podemos mencionar ainda as lagoas de Dentro, da Roça e Salgada, que se situam no tabuleiro e parece ligarem-se à bacia do rio Guaxindiba.

Foz do rio Paraíba do Sul
Foz do rio Paraíba do Sul


A verdade é que São Francisco conhece e trata mal os seus rios e lagoas. Manoel Martins do Couto Reis e naturalistas europeus que passaram pelo Sertão de Cacimbas, nome dado ao território do atual município de São Francisco de Itabapoana, impressionaram-se com a profusão de água e de matas existente nele. Hoje, a água secou e as matas foram quase todas derrubadas.

Compartilhar no facebook
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram