Projeto “Óleo Legal” ampliado em SFI

Projeto “Óleo Legal” ampliado em SFI

Além da conscientização ambiental, pessoa que fizer o descarte correto recebe detergente em troca

Com o objetivo de expandir o projeto “Óleo Legal”, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente de São Francisco de Itabapoana (SFI), no Norte Fluminense, disponibilizou dois coletores na área central: a sede da Secretaria Municipal de Trabalho e Desenvolvimento Humano (SMTDH) e a Escola Irmãos em Cristo.

“Assim, nós conseguiremos facilitar o acesso da população ao descarte correto e sustentável do óleo de cozinha. É significativo lembrar que a cada dois litros de material recebido, o morador recebe um vidro de detergente”, afirmou a secretária municipal de Meio Ambiente, Luciana Soffiati. Ela lembrou que o óleo deve estar armazenado em garrafa pet, sem adição de água ou restos alimentares.

Todo o material recebido é encaminhado para uma empresa especializada para o tratamento do resíduo, evitando a contaminação do solo e da água.

Conforme levantamento da Sema, de janeiro até esta terça-feira (17), 1.521 litros de óleos foram coletados. Segundo o órgão, novos locais estratégicos para disponibilização de coletores estão sendo analisados.

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Índice de reciclagem de latas de alumínio chega a 99% e Brasil se destaca como recordista mundial

Índice de reciclagem de latas de alumínio chega a 99% e Brasil se destaca como recordista mundial

Entre 2019 e 2021, a reciclagem de latas proporcionou redução de 70% no consumo de energia, 65% no consumo de água e queda de 70% nas emissões de gases de efeito estufa

O Brasil é recordista mundial no recolhimento e reciclagem de latas de alumínio. Em 2021, 98,7% das latas comercializadas em todo o país foram reutilizadas, o maior volume da história. Para se ter uma ideia da grandiosidade dos números, das mais de 414 mil toneladas de latas comercializadas, 409 mil toneladas foram recicladas.

“É um sistema que funciona e inspira outros sistemas a melhorarem também”, afirma o secretário de Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente, André França.
Os excelentes resultados atingidos pelo setor foram divulgados na última semana, durante evento promovido pelo Ministério do Meio Ambiente em que foram anunciados recordes no âmbito da logística reversa.

Para cada um quilo de lata reciclada são poupados cinco quilos de bauxita, mineral utilizado para a produção de alumínio. Somente em 2021, foram economizados dois milhões de toneladas de bauxita. Benefícios que não param por aí. Entre 2019 e 2021, a reciclagem proporcionou uma redução de 70% no consumo de energia, 65% no consumo de água e queda de 70% nas emissões de gases de efeito estufa.

Renato Paquet, secretário-executivo da Recicla Latas, destaca que a reciclagem da lata de alumínio é referência no Brasil e no mundo, com o aperfeiçoamento contínuo do sistema de logística reversa. “Em cerca de 60 dias, uma latinha pode ser comprada, usada, coletada, reciclada, virar latinha de novo ou voltar ao supermercado. Podemos afirmar que o Brasil é exemplo para o mundo e a indústria da lata de alumínio para bebidas contribui para a descarbonização e a economia de energia, dentre tantos outros benefícios ambientais e sociais”, aponta Paquet.

Atualmente, o Brasil conta com 36 centros de coleta mantidos pelo setor, atendendo 100% do território nacional. Os locais garantem a destinação adequada de toda sucata para a reciclagem. Mais de 800 mil catadores de materiais recicláveis são beneficiados com o programa de logística reversa de latas de alumínio e gerando renda de mais de R$ 5 bilhões por ano.

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Logística reversa de latas de alumínio

Em 2020, a assinatura de um acordo entre o Ministério do Meio Ambiente com a Associação Brasileira do Alumínio (Abal) e a Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alumínio (Abralatas) ampliou a coleta e permitiu um aumento nos números de reciclagem de latas. A ação definiu novos desafios para o setor com um importante apoio para os catadores que trabalham na cadeia de reciclagem, determinando às indústrias de reciclagem a compra das latas coletadas a preço de mercado.

O termo de compromisso determinou ainda a criação de uma entidade gestora, com o lançamento no Brasil do programa Cada Lata Conta; a modernização, centralização e transparência nas informações sobre o processo de coleta e reciclagem; o fortalecimento das metas de reciclagem no setor em 95%; a facilitação da chegada das latinhas aos centros de coleta e parceiros pelo País; investimentos em educação ambiental e financeira para melhorar renda e condição de vida dos catadores; e o desenvolvimento de ações tecnológicas para aumento da produtividade.

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Reservas protegem a biodiversidade no Norte Fluminense

Reservas protegem a biodiversidade no Norte Fluminense

“As Unidades de Conservação trabalham na recuperação da Mata Atlântica, além disso, geram um conteúdo de informação e pesquisa para a comunidade”

RPPN - Vale Carukango / Foto: Sucellus
RPPN Águas Claras / Foto: Cleber Fiuza

Um paraíso cercado de mata, com animais silvestres e com água cristalina. São poucos lugares assim na região Norte Fluminense do estado do Rio de Janeiro, mas as RPPNS Águas Claras I e II, que ficam no sítio de mesmo nome no município de Conceição de Macabu, tem transformado a fauna e flora local, tudo com empenho de pesquisadores e voluntários que atuam no local. É conhecimento compartilhado que pode gerar ainda mais proteção ambiental na região.

De acordo com Maria Inês Paes Ferreira, Gestora da Estação Semente RPPN Águas Claras, as reservas protegem importantes remanescentes da Mata Atlântica, por ser um recanto tradicionalmente frequentado por visitantes do Norte Fluminense, parte da propriedade permanece destinada ao uso recreativo e sustentável dos seus recursos ambientais.

“As RPPNs Águas Claras I (com área de 2,09 ha) e Águas Claras II (com área de 3, 61 ha) estão situadas no interior de uma propriedade rural de 8,5 ha, o sítio Águas Claras. As Unidades de Conservação (UCs) localizam-se a apenas 200m da Cachoeira da Amorosa. A cachoeira é um importante atrativo natural regional que se encontra no triplo limite municipal de Trajano de Moraes, Conceição de Macabu e Santa Maria Madalena”, explica a Gestora.

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É como se a natureza voltasse um pouquinho a cada dia, ainda segundo Maria Inês, entre os destaques da biodiversidade nas RPPNs é possível citar em termos de flora, a ocorrência de espécies com algum grau de risco e extinção, com a Dalbergia nigra (jacaranda da bahia), a Apuleia leiocarpa (garapa) e a Kielmeyera insignis. É importante destacar a grande diversidade floristica com aproximadamente 60 espécies já identificadas nas UCs. Em termos de fauna, já foram registradas cinco espécies de aves endêmicas da Mata Atlântica, como o tangará (Chiroxiphia caudata), abre-asas-de-cabeça-cinza (Mionectes rufiventris), tachuri-campainha (Hemitriccus nidipendulus), choca-de-sooretama (Thamnophilus ambiguus) e rabo-branco-mirim (Phaethornis idaliae), esta última categorizada na lista de avifauna ameaçada do estado do RJ. O levantamento de mamíferos e répteis na região encontra-se em andamento.

As reservas foram criadas em 2010 e reconhecidas pelo governo do estado do RJ por meio das Portarias INEA/RJ/PRES Nº 152 (Águas Claras I) e INEA/RJ/PRES Nº 115 (Águas Claras II) com o objetivo de proteger as águas, a biodiversidade e os fragmentos da Mata Atlântica desse território de importância ambiental e histórico-cultural ímpar.O que segue como exemplo positivo de preservação para todo o estado do Rio de Janeiro.

“As trilhas no interior das reservas estão em fase de planejamento e abertura, carecendo ainda de manejo completo, apesar de existir uma pequena trilha anterior à criação das RPPNs que se inicia na lateral da Cachoeira da Amorosa e termina no início da RPPN Águas Claras II e também um caminho que vai da estrada da Amorosa até o Poço Jamaica, localizado no interior do Sítio Águas Claras no entorno da RPPN Águas Claras I. Devido à ocorrência de serpentes e outros animais peçonhentos no local, bem como ao risco de escorregamento, não é recomendado aos visitantes que percorram a propriedade sem guia ou autorização da administração, apesar desse comportamento ser bastante comum, devido às dificuldades de restrição de acesso à área tendo em vista ser a propriedade cortada pelo rio Carukango”, afirma Maria Inês.

Cachoeira da Amorosa / Foto: Rota Verde
RPPN Poços / Foto: Sucellus
Acervo RPPN Águas Claras

Informação compartilhada

As ações no local têm focado principalmente em receber grupos de estudantes de nível médio, graduação e pós-graduação, assim como pesquisadores e técnicos para debater sobre a conservação da Natureza e sobre o projeto de permacultura e a recuperação da Mata Atlântica (reflorestamento) que se encontra em andamento.

“Também realizamos oficinas com membros da comunidade local da região da Amorosa, frequentadores e especialistas para construirmos coletivamente alternativas de geração local de renda associada ao ecoturismo e turismo de baixo impacto, que infelizmente não é o que historicamente ocorre na Cachoeira da Amorosa. A Educação Ambiental não formal é feita constantemente pela equipe gestora e por colaboradores voluntários da RPPN que buscam sensibilizar os frequentadores habituais da região a não deixar resíduos, não perturbar o silencio das aves e de outros animais que habitam o local, não fazer fogo, caçar, pescar ou provocar impactos ambientais na propriedade. Muitos visitantes alegam não saber que a área é particular, apesar da sinalização colocada na proximidade dos poços e na entrada da RPPN”, conta a Gestora.

Cada cantinho desse preservado por gestores e colaboradores, precisa também ser protegido por toda comunidade do entorno. Esse comportamento faz toda a diferença para o futuro das próximas gerações. “O envolvimento da comunidade é fundamental, pois conservar a Natureza no Brasil apenas com recursos próprios é totalmente inviável. A comunidade precisa sentir-se parte ativa do projeto de cuidar da Amorosa, não só entendendo a importância de manter o ambiente limpo e equilibrado, como também ajudando a manter as benfeitorias do local (que é aberto ao público sem qualquer cobrança até o momento). Além de minimizar os conflitos que podem advir da entrada indiscriminada de visitantes na reserva, a interação com a comunidade torna possível estabelecer parcerias para as ações de pesquisa, recuperação e educação ambiental”, comenta Maria Inês.

Placas de matéria orgânica / Acervo RPPN Águas Claras
Rabo branco mirim / Foto: Felipe Barreto
RPPN Adnet Floresta / Foto: Tom Adnetl

A RPPNs Águas Claras e seu entorno estão sendo transformados em uma Estação Demonstrativa de Permacultura: a Estação Semente Águas Claras. A Estação Semente Águas Claras busca assim aglutinar ações de cidadania planetária para a sustentabilidade, envolvendo educação ambiental, trilhas ecopedagógicas, cursos e práticas de design permacutural, sistemas agroflorestais e bioconstrução, proporcionando aos seus visitantes uma experiência de renovação energética e reconexão com a Natureza, que inclui revigorantes banhos nos seus poços e corredeiras, integrados a uma vista deslumbrante da microbacia do rio Carukango.

“Com apoio da FAPERJ (Fundação de Amparo à Pesquisa do estado do RJ), do Instituto Federal Fluminese, do NUPEM/UFRJ e das prefeituras locais esperamos inspirar produtores locais a manejar suas propriedades de forma sustentável, compatibilizando geração de renda e produção rural com a proteção da Natureza. A proposta foi contemplada em 2021 com o terceiro lugar do prêmio INEA Meio Ambiente”, finaliza a Gestora.

*
A Profª. Maria Inês Paes Ferreira
Engenheira Química, D.Sc.,
Coordenadora do Núcleo de Pesquisa em Petróleo Energia e Recursos Naturais
Instituto Federal Fluminense
Prof. Titular
Coordenadora da CTIG do Comitê de Bacia dos Rios Macaé e das Ostras
Gestora da Estação Semente RPPN Águas Claras

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“Reflorestar” no Caparaó Capixaba ganha força com jovens produtores

“Reflorestar” no Caparaó Capixaba ganha força com jovens produtores

Em Alegre, famílias da comunidade de Feliz Lembrança dão exemplo de sustentabilidade

Jovens produtores rurais de Alegre, na Região do Caparaó Capixaba, têm sido peças fundamentais na recuperação e preservação do meio ambiente por meio do programa Reflorestar. Um dos destaques é a comunidade de Feliz Lembrança, onde, desde o início deste ano, 30 novos contratos de pagamento de serviços ambientais (PSA) foram assinados, como forma de beneficiar àquelas famílias que associam o cultivo da agricultura aos cuidados com a natureza.

Os projetos aprovados preveem 71,87 hectares implantados com a modalidade Sistema Agroflorestal (SAF). De acordo com o coordenador do Programa Reflorestar, Marcos Sossai, a iniciativa dos jovens produtores é uma experiência comunitária sustentável, que vai proporcionar a restauração de florestas que vão conciliar a geração de serviços ecossistêmicos relacionados à biodiversidade e a regulação hídrica, com a geração de renda, já que viabiliza o plantio de espécies nativas com espécies que permitem produção sustentável.

“São jovens produtores rurais que vão plantar cerca 151 mil mudas de várias espécies, incluindo de essências nativas da Mata Atlântica, espécies produtivas como banana, palmito pupunha, abacate e, principalmente, café, formando as agroflorestas (SAF), e que poderão gerar receitas que podem chegar a R$ 3,5 milhões por ano, quando todas as espécies estiverem produzindo, o que deve ocorrer em cerca de três anos. Serão, ao todo, 94 hectares que receberão apoio do Reflorestar, dos quais, 66 hectares exclusivamente com plantios com esta dinâmica sustentável”, explicou o coordenador.

Um destes jovens é o Paulo Gonçalves de Azeredo Júnior, de 25 anos. Na propriedade dele, três hectares que antes eram destinados apenas para pasto, agora fazem parte do Reflorestar. Ele iniciou o plantio consorciado de café, palmito pupunha e nativas da Mata Atlântica, como o ipê, jatobá, jequitibá rosa e jacarandá.

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O jovem produtor conta que antes mesmo da chegada do programa, a comunidade de Feliz Lembrança já tinha uma preocupação com a sustentabilidade, mas acredita que o Reflorestar vai potencializar ainda mais isto.

“Já tínhamos um combinado da própria comunidade que toda área de vagem dentro da propriedade deve ser preservada, justamente para guardar água. Todo sistema da comunidade já é meio que agroflorestal. As pessoas também não cultivam onde tem nascentes”, destacou Paulo Júnior.

Outro diferencial da comunidade, segundo ele, é a resistência ao uso de agrotóxico. “A maioria das pessoas, como eu por exemplo, não utiliza esse tipo de veneno. Para controlar praga, a gente procura o mais natural possível. Os produtos que a gente vende aqui é cultivado do mesmo jeito que o consumido por nossas famílias. Então, se ele não pode ser para a nossa família, outro também não pode se alimentar daquilo. Essa é a ideia da nossa comunidade. Graças a Deus, a gente adquiriu isso com o tempo, não aconteceu de um dia para o outro”, completou.

O jovem produtor Paulo Junior
Plantio na propriedade do produtor Paulo Junior
Plantio na propriedade do produtor Paulo Junior

Programa traz aperfeiçoamento

O presidente da Associação de Produtores e Moradores de Feliz Lembrança, João da Silva Abreu, também foi um dos produtores beneficiados. Atualmente, a propriedade já tem um percentual de mata nativa em conjunto com as culturas que a família produz, como laranja, banana, aipim, entre outras variedades.

O produtor já está ampliando a área do sítio e na nova propriedade, que tem área de 3,61 hectares, o produtor vai fazer uma intervenção em quase metade do sítio, na Modalidade SAF, totalizando 1,41 hectares, onde plantará espécies locais em conjunto com culturas que podem ser exploradas.

“Aqui na região é quase tudo parente, são quase 60 famílias. A gente já tem o costume mais antigo, pelo perfil da comunidade no modo de plantar que já conserva a mata. A gente vê a importância no Reflorestar, aqui a é uma comunidade no meio da floresta. Plantar assim agrega valor, refresca o clima”, disse o produtor rural.

Na pequena propriedade, a produção é de base familiar, onde atua junto com o filho. No sítio, onde passa um córrego que alimenta a região, o produtor lembra a importância para preservação do recurso hídrico com a intervenção no local.

“A principal vantagem é evitar o assoreamento, além de preservar podemos gerar uma renda, juntando o plantio da mata nativa e podendo usar o benefício de plantar um palmito, uma banana, que pode ser comercializado.”

Segundo o Governo do Espírito Santo, o município de Alegre é um dos destaques na preservação ambiental, tendo 179 produtores rurais que aderiram ao Reflorestar. Já a Região do Caparaó, onde o município está localizado, é a região com a maior quantidade de produtores beneficiados: 1.336 famílias, com R$ 15,2 milhões aprovados.

Somados, nos projetos aprovados para as famílias da comunidade de Lembrança Feliz, serão plantadas 11.778 mudas de espécies nativas da Mata Atlântica, além de 109.467 mudas de café, 18.536 mudas de banana, 9.699 mudas de pupunha, além de outras espécies frutíferas
O programa é desenvolvido por meio da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Seama) e do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes).

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Plantio é projetado antes da aprovação

De acordo com Vinicius Santos Terra, diretor de operações da MV Gestão Integrada, consultoria técnica que acompanhou os projetos em Alegre com os produtores, o resultado do esforço é positivo. “Trabalhar com o Reflorestar é algo que nos motiva a cada dia.

Fazemos mais do que projetos. O que nos move é a certeza de que estamos transformando a realidade do produtor rural e, ao mesmo tempo, proporcionando oportunidades por meio do pagamento por serviço ambiental. Por isso, investimos tanto em tecnologia, qualidade e processos para atender cada vez melhor os nossos parceiros produtores, Bandes e Seama”, destacou Vinicius Santos Terra.

O consultor explica que o trabalho com a comunidade de Feliz Lembrança foi iniciado em fevereiro de 2019 com uma reunião de mobilização. Durante o processo, foram realizadas algumas visitas para verificar documentação e quesitos técnicos para o planejamento e execução dos projetos.

“A comunidade merece todo esse apoio que o Programa Reflorestar está proporcionando, o trabalho que todos teremos daqui para frente é enorme, plantar agora será a parte mais fácil do processo, poder cuidar e fazer produzir nos aproximadamente 70 hectares de Sistema Agroflorestais que será o maior desafio, levando em consideração a parceria estabelecida, vamos conduzir com total atenção pelos próximos cinco anos de acompanhamento e monitoramento técnico, não só esses projetos da Feliz lembrança, mas também todos os 635 projetos que estão sob a responsabilidade da MV”, completou.

Vinicius, consultor do projeto

Sobre o Reflorestar

O Programa Reflorestar, que é considerado uma referência nacional, já beneficiou aproximadamente quatro mil projetos que ajudaram a recuperar ou preservar 10 mil hectares do meio ambiente de diferentes bacias hidrográficas, de norte a sul do Espírito Santo, com R$ 70 milhões aprovados.

Para ser contemplado, é necessário que o proprietário rural tenha áreas estratégicas na geração de serviços ambientais relacionados ao aumento da capacidade de infiltração da água no solo e na redução da geração de sedimentos, identificadas por meio de estudos reconhecidos pelo Núcleo de Gestão do Programa Reflorestar (NGPR), da Seama.

Para participar, é necessário se cadastrar e aguardar possibilidade de apoio para a sua região pelo site (https://seama.portalreflorestar.es.gov.br/registro/). O pagamento dos serviços ambientais é mais uma alternativa de geração de oportunidades e renda para o produtor rural. Os valores variam de acordo com a modalidade de preservação e a extensão de área preservada.

O diretor-presidente do Bandes, Munir Abud de Oliveira, enfatizou que um dos compromissos do banco é atuar em projetos de desenvolvimento sustentável e que o Reflorestar é referência na preservação do meio ambiente capixaba.

“Por meio deste programa, temos um mecanismo financeiro que possibilita ao produtor rural capixaba a oportunidade de investir no desenvolvimento econômico em sua propriedade de forma articulada com a preservação ambiental. É a oportunidade de gerar renda e qualidade de vida para a população capixaba”, disse Munir Abud.

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Comitê aposta na recuperação de nascentes e uso sustentável do solo

Comitê aposta na recuperação de nascentes e uso sustentável do solo

Expectativa é que reconhecimento da região como semiárida possa trazer também ganhos ambientais

Seca do Rio Paraíba no ano de 2013 – Foto César Ferreira

A criação de um fundo de desenvolvimento para atender a agropecuária de 22 municípios do Norte e Noroeste Fluminense, apontados como semiáridos, é vista também como uma possibilidade de investimentos na recuperação ambiental. A região pode ser beneficiada pelo, recém aprovado, Projeto de Lei 1440/2019, que prevê recursos a produtores a partir da mudança climática.

Especialistas ouvidos pelo Rota Verde em três reportagens anteriores são unânimes ao afirmar sobre a necessidade da implantação de práticas sustentáveis para minimizar os impactos provocados no campo pela degradação ambiental durante décadas.

A expectativa é que, a partir de recursos destinados, produtores rurais e pecuaristas possam ser motivados à recuperação de matas e nascentes, apostando por exemplo na agroecologia e na pecuária silvipastorial, um método que combina no mesmo espaço gado, árvores e pastos.

O Comitê Baixo Paraíba do Sul e Itabapoana acompanha os estudos meteorológicos feitos pela Universidade do Estadual do Norte Fluminense (UENF) e reconhece a falta de chuva na região, além dos impactos disso e a necessidade que haja o uso sustentável do solo.

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Integrado por vozes do poder público, da sociedade civil organizada e usuários de água bruta dos rios Paraíba e Itabapoana, o Comitê já vem elaborando ações que melhore a produção de água na sua bacia hidrográfica.

“Nós estamos focados em recuperação de nascentes. De lá que vem a nossa água. Estamos em processo de priorização de áreas que possam ser recuperadas para o plantio de árvores. Mas não é aleatório. A velocidade do escoamento da água, superficial, que cai da chuva é muito grande. Então, florestas em área de encosta, topo de morro e nascentes, impedem esse escoamento rápido da água, deixando ela infiltrada no solo. É esse processo que estamos envolvendo o Comitê”, destaca João Siqueira, diretor do Comitê Baixo Paraíba do Sul.

Ainda segundo ele, no ciclo hidrológico, a água evapora no mar, forma nuvens e o vento empurra até as áreas montanhosas, por isso não chove suficiente na região.

“O nosso vento empurra a chuva até a montanha no Noroeste ou em Minas e lá chove. De lá, vem para nós. Com a falta de cobertura do solo, essa água não infiltra. Ela bate, escorre e ganha a calha do rio e dali volta para o mar rapidamente. O interessante é que esta água infiltre no solo, que é um grande reservatório, seja guardada um tempo ali, vá escoando lentamente pelas nascentes e aí sim venha ganhar a calha do rio. Então, esse processo é alterado pela falta de florestas”, comenta João Siqueira.

Modelo de reflorestamento já garantiu 5 mil hectares de Mata Atlântica

As ações do Comitê Baixo Paraíba do Sul e Itabapoana em prol do meio ambiente da região independem do PL 1440/2019, já que os recursos disponíveis vêm do dinheiro arrecadado em níveis federal e estadual pelo uso da água dos rios por parte de empresas e instituições.

Exemplos dados por outros comitês de bacias, como o Guandu podem servir de modelo para a recuperação de florestas no Norte e Noroeste Fluminemse.

O Comitê, que pega parte da região metropolitana do Rio e centro sul do estado, vem mostrando na prática, desde 2009, como o incentivo à sustentabilidade já recuperou ou preservou mais de 5 mil hectares de Mata Atlântica com o programa Produtores de Água e Floresta (PAF).

O PAF é um dos primeiros projetos de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) do Brasil. Além de preservar o meio ambiente, os produtores rurais que fazem parte do PAF já receberam mais de RS 2,7 milhões em retribuição.

Isso sem contar, o aumento da renda familiar a partir de uma produção amparada por orientações técnicas e sustentáveis. Atualmente, o programa ampliou a sua atuação com os Sistemas Agroflorestais (SAFs), aliando espécies florestais e cultivos agrícolas. A agroecologia vem se destacando com a produção de alimentos orgânicos, por exemplo.

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Produtores rurais falam em justiça ao avaliar a PL 1440/19

Produtores rurais falam em justiça ao avaliar a PL 1440/19

Eles comemoram a possibilidade de políticas públicas específicas para a atividade agropecuária da região, levando em consideração o fator clima

Seca da Lagoa do Campelo no ano de 2015 - Foto César Ferreira
Fotos César Ferreira

O produtor rural e ex-secretário de Agricultura de Campos, Eduardo Crespo, diz que o projeto de lei que muda a classificação climática para semiárida em 22 municípios do Norte e Noroeste Fluminense é um ato de justiça e importante para mostrar a dificuldade e a necessidade de políticas públicas específicas para a atividade agropecuária da região, levando em consideração o fator clima.

“O reconhecimento que a nossa região tem esse clima similar ao Nordeste é um ato de Justiça, porque isso é histórico. A gente pagou um preço muito caro, porque estamos passando um verão muito seco, por conta do veranico”, destaca Eduardo.

Com a PL 1440/19, ele espera ver investimentos públicos que garantam um pouco mais de segurança ao produtor rural.
“A proposta do Garantia Safra, por exemplo, oferece uma renda mínima àquele que se arriscou, que plantou, cultivou… para que, pelo menos, ele não saia da atividade, mediante a uma frustração climática que possa ocorrer”, pondera Eduardo.

Fora isso, segundo ele, a criação de um fundo oportuniza também investimentos em pesquisa e tecnologia no campo.
“A atividade agrícola, com base tecnológica, ela hoje é sustentável. Só que precisava reconhecer que a nossa região tem essa peculiaridade e ter investimentos sentido: irrigação, proteção de nascentes, produção de água, reflorestamento… Várias ações que se complementam e permitem mais competitividade em harmonia com o ambiente”, avalia Crespo.

A expectativa é que sejam destinados recursos para capacitar produtores e trabalhadores, além de investimentos nas universidades.
“Recursos para produzir pesquisas partindo da premissa básica que nós não somos só enchente, e nem só seca. Nós temos o nosso perfil próprio e esse reconhecimento fará com que a gente possa olhar para a frente e trazer tempos novos para a nossa atividade rural”, finalizou Eduardo Crespo.

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Seguro agrícola é visto como fundamental

O atual secretário de Agricultura, Pecuária e Pesca de Campos, Almy Júnior, também apontou a PL como “um avanço consistente na direção do verdadeiro desenvolvimento agrícola das regiões Norte e Noroeste Fluminense e do Estado do Rio de Janeiro como um todo”.

“O PL é muito importante, porque o seguro agrícola é algo fundamental para que nossos agricultores tenham menos riscos na atividade, tenham um suporte para lidar com perdas e prejuízos em função do clima, do desequilíbrio climático que se apresenta cada vez mais intenso e, principalmente, se sintam seguros para ampliar e aperfeiçoar sua produção”, ressaltou Almy.

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Ambientalista aponta contribuição da agropecuária na degradação que levou ao semiárido

Ambientalista aponta contribuição da agropecuária na degradação que levou ao semiárido

“Semiaridez da região, portanto, não é natural. Ela foi produzida pela própria atividade que se valeu dos recursos naturais”

A mudança da classificação climática para semiárida em 22 municípios do Norte e Noroeste Fluminense, debatida na PL 1440/19, segue em discussão no meio político como uma compensação aos produtores rurais. Para o ambientalista e historiador Aristides Arthur Soffiati a agropecuária no Norte/Noroeste Fluminense contribuiu muito para esta alteração do clima na região.

“A regiões Norte e Noroeste Fluminense não são naturalmente semiáridas. Elas se situam no domínio da Mata Atlântica. Havia florestas densas, pujantes e úmidas nas margens do Paraíba do Sul e muitas lagoas em seu trecho final. O Norte Fluminense era a região mais úmida do Estado do Rio de Janeiro com suas incontáveis lagoas. No Noroeste Fluminense, dominavam extensas florestas”, destaca Soffiati.

Ele conta que ao longo de três séculos, as florestas foram senso suprimidas pelo corte ou simplesmente pelo fogo para abrir espaço à lavoura e a pastagens.
“Foi um processo lento e até elogiado por representar o avanço da civilização sobre a natureza selvagem. Também as lagoas foram drenadas para conquistar terras sob as águas e destiná-las à cana”, ressalta.

Ainda segundo o ambientalista, a agropecuária contribuiu para o lançamento de carbono na atmosfera e para o efeito-estufa com o desmatamento, embora ainda não se tenha mensurado esta colaboração.

“Este estudo deveria ser feito pelas Universidades para sabermos qual foi a contribuição da região para as mudanças climática. A semiaridez da região, portanto, não é natural. Ela foi produzida pela própria atividade que se valeu dos recursos naturais. Não se trata de condenar o passado, pois desmatar e drenar eram atividades vistas com bons olhos por toda a sociedade. Não se pensava também que as atividades econômicas fossem provocar mudanças na atmosfera”, comenta o historiador.

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Soffiati defende que fundo destinado à recuperação de florestas e lagoas

Com o PL 1440/19, a proposta é que seja criado um Fundo de Desenvolvimento, a ser constituído por recursos privados a partir de doações, contribuições, financiamentos e investimentos para o desenvolvimento da Agricultura, além do Fundo Garantia-Safra, de natureza financeira, para proteger agricultores familiares prejudicados pela estiagem.
Porém, para Soffiati seria justificável um fundo que pudesse atender provisoriamente os produtores rurais, ao lado da restauração e da revitalização de florestas e lagoas.

“Este projeto de lei é uma visão retrógrada. As lideranças políticas regionais são muito atrasadas. O mundo mudou. Vivemos uma crise ambiental sem precedentes. O mais correto seria criar um fundo destinado à recuperação de florestas e lagoas. Não se trata de ocupar as terras altas da região com matas, como no passado, mas reflorestar margens de rios, topos de morro, encostas íngremes e áreas de recarga (por onde a água da chuva se infiltra no lençol freático)”, salienta o ambientalista.

Como exemplo de ações que poderiam minimizar os impactos do clima na região, Soffiati a proteção e recuperação de lagoas, que poderiam ser usadas como reservatórios de águas de enchentes.
“Algumas lagoas da planície deveriam ser recriadas, como as lagoas de Dentro, da Ribeira, da Piabanha, pelo menos”, completa o ambientalista.

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Norte e Noroeste Fluminense com características de semiárido

Norte e Noroeste Fluminense com características de semiárido

Projeto de lei quer trazer benefícios a produtores rurais da região embasados na mudança da classificação climática

Visto por muitos como literalmente a salvação da lavoura, um projeto de lei que regulamenta a mudança da classificação climática para semiárida em 22 municípios do Norte e Noroeste Fluminense é encarada por ambientalistas e outros pesquisadores como um atestado de que a humanidade está mudando a natureza de forma perigosa para ela própria.

O Rota Verde buscou diferentes visões sobre o projeto de lei (PL 1440/2019), que foi aprovado por uma comissão especial da Câmara dos Deputados no início deste mês. Nesta reportagem, a primeira de uma série, o Rota traz detalhes da proposta que sugere benefícios a produtores rurais destas regiões a partir da mudança do clima ao longo de décadas.

O projeto, apresentando e defendido por políticos da região, foi construído com a participação do professor José Carlos Mendonça, meteorologista da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), que mostrou em dados que a mesorregião caminhava a passo largos para se tornar semiárida, revelando o clima como complicador para diversos problemas aos agricultores, causando insegurança ao processo produtivo.

“Você não muda um clima por lei. O que está por trás disso é o embasamento. A gente vem acompanhando a questão climática, que de fato vem alterando. As secas prolongadas, as chuvas concentradas… É um fato comprovado nas nossas estações meteorológica que diminuiu a chuva, aumentou a temperatura, reduziu a umidade relativa, aumentou assustadoramente a evaporação. Estamos mais quente e mais seco”, pontua o meteorologista.

Ainda segundo ele, não é que hoje a região seja semiárida, mas o cenário climático caminha para isso. Um dos exemplos dado pelo meteorologista é o recente relatório publicado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). O documento apontou que a média anual das emissões de gases de efeito estufa globais tem crescido, fazendo com que a contenção do aquecimento global esteja fora de alcance.

“Na média anual geral, nós somos subúmido seco, que é um degrau abaixo do semiárido. Só que isso já vem sendo dito desde 2004, desde os primeiros relatórios apontando este índice de aridez. De lá para 2022, são quase 20 anos. O que foi feito para reduzir este índice ascendente de aridez? Nada. Então se nada está sendo feito e a gente continua em direção ao semiárido, daqui a dez anos isso só vai crescendo”, avalia o professor.

Segundo o meteorologista, além das questões naturais possíveis, como as variações no ciclo solar, por exemplo, vêm das intervenções humanas os maiores aceleradores destas alterações climáticas.

De acordo com o estudo do IPCC, existem provas cada vez maiores de que as alterações climáticas vistas em todo o mundo são resultado de “mais de um século de energia e utilização insustentável da terra, estilos de vida e padrões de consumo e produção problemáticos”.
Os estudos mundiais mostram ainda que, desde 1800, as atividades humanas têm sido o principal impulsionador das mudanças climáticas, principalmente devido à queima de combustíveis fósseis como carvão, petróleo e gás para geração de energia, atividades industriais e transportes.

A conversão do uso do solo, a própria agropecuária, o descarte de resíduos sólidos (lixo) e o desmatamento estão entre os agravantes ao efeito estufa e consequentes alterações climáticas.
“O INMET lançou recente as normais climatológicas dos últimos 30 anos. Em Campos eu fiz o relatório. A nossa chuva diminuiu. É dado oficial que a nossa média de chuva anual hoje caiu abaixo dos três dígitos 981,6 mm

A temperatura média do ar que era 23 graus, hoje já está em 24.6. A umidade relativa do ar que era 88,5, já está com 76. Não é só o total anual, mas como esta chuva é distribuída. O que adianta choveu fevereiro, aquela tromba d’água toda, parou de chover, ficou 45 dias sem uma gota d’agua”, ressalta Mendonça.

 

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Plantar de acordo com o perfil climático

Apesar de ser um projeto que sustenta que as características climáticas de Campos e municípios vizinhos são semelhantes às do Nordeste do Brasil, isso não inclui a região nos benefícios disponibilizados por meio Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene).

“Não é que hoje a Sudene reconhece o Norte e Noroeste Fluminense como semiárido. Ela não reconheceu ainda, apesar disso ser uma questão que está em discussão. Nós temos condições muito piores do que municípios do norte do Espírito Santo e de Minas Gerais que foram incluídos na última revisão do ano passado. Então, a gente está questionando isso”, afirma o meteorologista.
Ainda segundo ele, em cima desta discussão da alteração do regime climático, se propôs a criação de um fundo e o Zoneamento Agrícola de Risco Climatológico (Zarc).

“Então a proposta foi criar um novo fundo de investimento, fazer o zoneamento e ser financiado o que realmente for viável dentro das mudanças climáticas que estão acontecendo. Definindo o que eu posso plantar, quando e o que de fato não trará prejuízo. Culturas financiadas com recursos baratos para a realidade climática que a gente vive”, salienta.

Dados de 60, 70, 80 anos do Norte e Noroeste revelam, segundo o pesquisador, que a região tem três períodos característicos.
“Tem o verão chuvoso, período úmido em outubro, novembro dezembro, com aqueles veranicos de janeiro e fevereiro que são clássicos. Depois a gente entra no período subúmido seco e chega no semiárido em agosto, setembro, outubro”, explica.

Articulação política por criação de fundo desenvolvimento

Apresentado em março de 2019, pelo então deputado federal Wladimir Garotinho, atual prefeito de Campos dos Goytacazes, a proposta é considerada determinante para o desenvolvimento regional do Norte e Noroeste Fluminense.

O prefeito, quando deputado, construiu uma proposta para viabilizar esse amparo aos produtores, para facilitar acesso a créditos, proposta que avançou com a comissão especial, sob a presidência de Clarissa Garotinho, e que teve esse parecer favorável do deputado Felício Laterça.

“Sou autor do projeto original, que buscava reconhecer as características climáticas de Campos e municípios vizinhos como semelhantes às do Nordeste do Brasil, objetivando, com isso, garantir linhas de crédito para toda a cadeia produtiva agrícola, amenizar prejuízos sofridos por nossos produtores rurais e incentivando a expansão do agronegócio e a geração de emprego e renda. Parabenizo os deputados federais Clarissa Garotinho e Felício Laterça por darem sequência e ampliarem esse projeto, que será um verdadeiro divisor de águas para a agricultura no interior do estado”, destacou Wladimir.

O projeto já previa a criação de um fundo de desenvolvimento. No texto substitutivo, foi incluída a restrição de aportes públicos no fundo e criado o chamado Fundo Garantia-Safra. Como a comissão especial da Câmara dos Deputados é constituída, em sua maioria, por parlamentares do estado do Rio, a presidente Clarissa Garotinho acredita que o PL deverá ser encaminhado diretamente para o Senado, sem necessidade de aprovação pelo Plenário da Casa Legislativa.

O atual texto do PL 1440/19 classifica como área de semiárido os municípios de Aperibé, Bom Jesus do Itabapoana, Cambuci, Campos dos Goytacazes, Carapebus, Cardoso Moreira, Conceição do Macabu, Italva, Itaocara, Itaperuna, Laje do Muriaé, Macaé, Miracema, Natividade, Porciúncula, Quissamã, Santo Antônio de Pádua, São Fidélis, São Francisco de Itabapoana, São José de Ubá, São João da Barra e Varre-Sai.

 

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Apontada como extinta em parte da costa do RJ, onça-parda é flagrada em Maricá

Apontada como extinta em parte da costa do RJ, onça-parda é flagrada em Maricá

Imagens do felino foram feitas por armadilhas fotográficas, que registaram também o gato maracajá

Considerada extinta há quase um século na região costeira metropolitana do estado do Rio de Janeiro, a onça-parda (Puma concolor) voltou a ser registrada por pesquisadores em uma mata de Maricá.

O flagrante foi feito por armadilhas fotográficas instaladas por cientistas no Refúgio de Vida Silvestre do município da Região dos Lagos (Revimar). Além da suçuarana, como também é conhecida, outro felino ameaçado de extinção, o gato maracajá, foi fotografado na área de conservação.

De acordo com o biólogo e membro do Núcleo de Fotografia Científica Ambiental da Uerj, Izar Aximoff, a presença destes animais na região é motivo de comemoração. Historicamente, o habitat natural deles era perto do mar. Porém, após serem caçados, perseguidos e expulsos por séculos, eles hoje resistem somente em fragmentos montanhosos, e se pensava que haviam desaparecido das áreas costeiras.

Acredita-se que atualmente haja mais de um animal destas espécies no Revimar e por isso os estudos estão sendo ampliados para o mapeamento e preservação.

Os levantamentos são recentes. Segundo o biólogo, durante a pandemia, as equipes do Revimar começaram a colocar armadilhas fotográficas na área de proteção para identificação da fauna, principalmente mamíferos terrestres.

“Depois de dois anos de monitoramento, começaram a registrar a presença da onça-parda e do gato maracajá. Estas duas espécies de felinos estão ameaçadas de extinção, sendo que a onça-parda é o segundo maior felino brasileiro, ficando só atrás da onça-pintada”, destacou Izar Aximoff

O biólogo cotou ainda que a gestora do Revimar, Márcia Freitas, foi quem o convidou para coordenar a pesquisa no local.

“Ela ficou preocupada porque a onça-parda é um animal de grande porte, que precisa de um território também extenso, e a unidade de conservação, embora tenha um tamanho relativamente grande, mesmo assim é um território pequeno para ela.

Diante da preocupação, ela entrou em contato comigo, que sou especialista em felinos. Fui fazer uma visita à unidade e ela me solicitou que passasse a coordenar a pesquisa com mamíferos lá”, detalhou.

O trabalho desde então vem sendo ampliado com a instalação de mais armadilhas fotográficas.

“Os animas foram registrados em uma área pequena, então a gente vai ampliar o esforço de amostragem e a área pesquisada para de fato saber quantos indivíduos são. Se tem alimentação suficiente para ela lá? Se existem ameaças ou pressões que de repente venham a incidir sobre ela, como por exemplo, a presença de espécies exóticas, como cachorros, a presença de caçador, de área desmatada na unidade… A gente vai aumentar o estudo destes animais e tentar definir possíveis vetores de pressão”, explicou Izar, ressaltando que a pesquisa vai ser conduzida pela Uerj, em parceria com a Prefeitura.

Os registros recentes são importantes porque garantem a confirmação da presença da onça-parda nesta zona costeira, que reúne o município do Rio, Niterói e Maricá.

“Até então, os últimos registros da presença da espécie nesta região, eram de 1936. Tem um livro chamado de Sertão Carioca, no qual o autor Magalhães Corrêa, cita a presença da onça-parda nas restingas da Barra da Tijuca e Jacarepaguá, que já não existem mais. Então estes foram últimos relatos”, afirmou o biólogo.

Ele lembrou também que, em 2020, uma câmera de segurança filmou um animal da mesma espécie em Guaratiba, que fica no município do Rio.

“Depois deste registro das câmeras de segurança, não teve nenhum outro desta onça-parda, então não dá para confirmar, a partir disso, que de fato tenha o animal, porque um indivíduo só, e só um registro por câmera de segurança, não garante nada para a gente. Os registros de Maricá agora são importantes por conta disso. As imagens confirmam a presença dela e do gato maracajá nesta região costeira metropolitana”, completou.
No litoral fluminense existem outras unidades de conservação fora da região metropolitana, que, segundo ele, o animal já foi observado, embora não tenha sido registrado com imagem fotográfica.

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Preservação das espécies é o desafio

A perspectiva dos pesquisadores agora é ampliar o trabalho com a vertente de prevenção e de fiscalização. Apesar destes animais não serem apontados como um perigo para a sociedade, acabam muitas vezes mortos.

“A ideia é que a gente faça um mapeamento das propriedades que estão no entorno do Revimar para verificar aquelas que têm criação de animais e a partir disso passar algumas orientações para evitar possíveis ataques. Por exemplo, a colocação de cercas elétricas, durante à noite recolher os animais para que eles não fiquem expostos a onças ou algum outro felino, para evitar possíveis mortes de felinos por retaliação. A gente sabe que muitas vezes acontece isso, do felino pegar um animal de valor alto e o dono fica com raiva e mata o felino, então a gente quer evitar isso”, disse o biólogo.

O apoio Polícia Ambiental também é visto como fundamental.

“A todo tempo a gente vai estar amparado, porque muitas vezes a gente pode encontrar com caçadores durante o momento que está percorrendo as trilhas para colocar as armadilhas fotográficas”, finalizou.

Sobre a reserva
O Revimar tem nove mil hectares, mais do que o dobro do Parque Nacional da Tijuca, e se estende por 25% do território de Maricá. É maior do que municípios como Búzios e Belfort Roxo, por exemplo.

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Relatório climático da ONU: estamos a caminho do desastre, alerta Guterres

Relatório climático da ONU: estamos a caminho do desastre, alerta Guterres

Para o secretário-geral da ONU, o mundo está em um caminho rápido que pode tornar o planeta inabitável

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) divulgou seu novo relatório na segunda-feira (04). O documento, que tem foco na mitigação das mudanças climáticas, indica que as emissões nocivas de carbono de 2010-2019 foram as mais altas na história da humanidade.

Para o secretário-geral da ONU, António Guterres, esta é prova de que o mundo está em um “caminho rápido” para o desastre.

Em seus comentários sobre o lançamento do novo relatório do IPCC, o secretário-geral da ONU insistiu que, a menos que os governos de todos os lugares reavaliem suas políticas energéticas, o mundo será inabitável.

Seus comentários refletem a insistência do IPCC de que todos os países devem reduzir substancialmente o uso de combustíveis fósseis, ampliar o acesso à eletricidade, melhorar a eficiência energética e aumentar o uso de combustíveis alternativos, como o hidrogênio.

Legenda: Eventos extremos, como enchentes, devem se tornar mais comuns à medida que o planeta aquece Foto: © Fernando Frazão/Agência Brasil

História de terror – A menos que uma ação seja tomada em breve, algumas grandes cidades ficarão submersas, afirmou Guterres em uma mensagem de vídeo, que também prevê “ondas de calor sem precedentes, tempestades aterrorizantes, escassez generalizada de água e a extinção de um milhão de espécies de plantas e animais”.

O chefe da ONU acrescentou: “Isso não é ficção ou exagero. É o que a ciência nos diz que resultará de nossas atuais políticas energéticas. Estamos no caminho para o aquecimento global de mais que o dobro do limite de 1,5 grau Celsius que foi acordado em Paris em 2015″.

Questão urbana – Segundo os autores do relatório, uma parcela crescente das emissões pode ser atribuída a vilas e cidades. De forma igualmente preocupante, o relatório sinaliza que as reduções de emissões na última década “foram menores do que os aumentos de emissões, devido ao aumento dos níveis de atividade global na indústria, abastecimento de energia, transportes, agricultura e edifícios”.

De acordo com o novo, as emissões de gases de efeito estufa geradas pela atividade humana aumentaram desde 2010 “em todos os principais setores do mundo”. O documento é fruto do trabalho de centenas de cientistas independentes de todo mundo e foi aprovado por 195 países.

Sinais encorajadores – O painel de cientistas realça, no entanto, que é ainda é possível reduzir pela metade as emissões até 2030 e insta governos a intensificar as ações para reduzir as emissões.

Como exemplo dos avanços, os autores chamam atenção para a redução significativa no custo das fontes de energia renovável desde 2010, em até 85% para energia solar e eólica e baterias.

Apesar dos desafios, passos encorajadores vêm sendo dados. A redução significativa no custo das fontes de energia renovável desde 2010 é um exemplo.

Legenda: Apesar dos desafios, passos encorajadores vêm sendo dados. A redução significativa no custo das fontes de energia renovável desde 2010 é um exemplo Foto: © Abbie Trayler-Smith/UK Department for International Development

Incentivando a ação climática – De acordo com o presidente do IPCC, Hoesung Lee, o momento atual representa uma “encruzilhada”. “As decisões que tomamos agora podem garantir um futuro habitável”, disse Lee.

Ele se mostrou encorajado pela ação climática que está sendo tomada em muitos países. “Existem políticas, regulamentos e instrumentos de mercado que estão se mostrando eficazes. Se forem ampliados e aplicados de forma mais ampla e equitativa, podem apoiar reduções profundas de emissões e estimular a inovação”, afirmou.
Para limitar o aquecimento global a cerca de 1,5°C (2,7°F), o relatório do IPCC insiste que as emissões globais de gases de efeito estufa teriam que atingir o pico “antes de 2025, o mais tardar, e ser reduzidas em 43% até 2030”.

O metano também precisaria ser reduzido em cerca de um terço, de acordo com os autores do relatório. Ainda assim, mesmo que isso fosse alcançado, é “quase inevitável” que ultrapassemos temporariamente o limite de temperatura de 1,5 grau Celcius acima do período pré-industrial. No entanto, ainda seria possível retornar a um valor abaixo deste limite até o final do século.

Agora ou nunca – “É agora ou nunca, se quisermos limitar o aquecimento global a 1,5°C; sem reduções imediatas e profundas de emissões em todos os setores, será impossível”, disse Jim Skea, copresidente do Grupo de Trabalho III do IPCC, responsável pelo último relatório.

De acordo com o relatório, que reúne as melhores evidências científicas disponíveis, as temperaturas globais se estabilizarão quando as emissões de dióxido de carbono atingirem zero líquido. Para 1,5°C, isso significa atingir emissões líquidas zero de dióxido de carbono globalmente no início da década de 2050; para 2°C, é no início da década de 2070.

“Esta avaliação mostra que limitar o aquecimento a cerca de 2°C ainda exige que as emissões globais de gases de efeito estufa atinjam o pico antes de 2025, o mais tardar, e sejam reduzidas em um quarto até 2030”, ressalta Skea.

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Base da política – As avaliações do IPCC são muito importantes porque fornecem aos governos informações científicas que podem ser usadas para desenvolver políticas climáticas. Eles também desempenham um papel fundamental nas negociações internacionais para combater as mudanças climáticas.

Entre as soluções sustentáveis e de redução de emissões disponíveis para os governos, o relatório do IPCC enfatizou que repensar como as cidades e outras áreas urbanas funcionarão no futuro pode ajudar significativamente a mitigar os piores efeitos das mudanças climáticas.

“Essas (reduções) podem ser alcançadas por meio de menor consumo de energia (como a criação de cidades compactas e caminháveis), eletrificação do transporte em combinação com fontes de energia de baixa emissão e maior absorção e armazenamento de carbono usando a natureza”, sugeriu o relatório, que apresenta opções para cidades estabelecidas, de rápido crescimento e novas.
“As mudanças climáticas são o resultado de mais de um século padrões insustentáveis de energia, uso da terra, estilos de vida, consumo e produção”, resumiu Skea. “Este relatório mostra como agir agora pode nos levar a um mundo mais justo e sustentável.”

Sobre o IPCC – O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) é o órgão da ONU para avaliar a ciência relacionada às mudanças climáticas. Foi estabelecido pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) em 1988 para fornecer aos líderes políticos avaliações científicas periódicas sobre as mudanças climáticas, suas implicações e riscos, bem como propor estratégias de adaptação e mitigação. No mesmo ano, a Assembleia Geral da ONU endossou a ação da OMM e do PNUMA em estabelecer conjuntamente o IPCC, que atualmente tem 195 Estados-membros.

Milhares de pessoas de todo o mundo contribuem para o trabalho do IPCC. Para os relatórios de avaliação, os especialistas oferecem seu tempo como autores do IPCC para avaliar os milhares de artigos científicos publicados a cada ano para fornecer um resumo abrangente do que se sabe sobre os impulsionadores das mudanças climáticas, seus impactos e riscos futuros e como a adaptação e a mitigação podem reduzir esses riscos.

Fonte: ONU Brasil

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