O que exatamente é a embalagem biodegradável e por que devemos usá-la?

O que exatamente é a embalagem biodegradável e por que devemos usá-la?

Antes de nos aprofundarmos no porquê e como as embalagens biodegradáveis são benéficas, precisamos entender o que são. A embalagem biodegradável refere-se ao material de embalagem composto de biopolímeros. Biopolímeros são compostos orgânicos encontrados em organismos vivos como celulose e proteínas.

Isso significa que eles podem ser consumidos com segurança e prontamente decompostos por microorganismos como bactérias, fungos e algas, com impacto mínimo no meio ambiente.

A embalagem biodegradável é uma excelente alternativa ao plástico que traz inúmeras consequências ao meio ambiente. O plástico tem uma taxa de decomposição mais lenta e isso afeta o ecossistema natural. As embalagens biodegradáveis podem ser feitas dos seguintes materiais:
– Amido de milho
– Algas marinhas
– Cogumelos


Como as embalagens biodegradáveis são diferentes das embalagens compostáveis?

As embalagens compostáveis são semelhantes às embalagens biodegradáveis, pois também se decompõem de uma maneira que não prejudica o meio ambiente. A vantagem adicional que as embalagens compostáveis têm sobre as embalagens biodegradáveis é a garantia de que não produzirão toxinas após a decomposição.
Uma vez que a embalagem compostável é totalmente decomposta, ela se transforma em ‘composto’, fornecendo ao solo os nutrientes necessários para o crescimento das plantas.

Novamente, enquanto as embalagens biodegradáveis não têm um prazo definido para se decompor, as embalagens compostáveis vêm com a garantia de que se decompõem dentro de um prazo especificado ou ao atingir uma temperatura específica.

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Por que devemos usar material de embalagem biodegradável?

Fazer a mudança para materiais de embalagem biodegradáveis está se tornando incrivelmente importante para as empresas. Isso ocorre porque os consumidores estão mais inclinados a comprar com marcas preocupadas com a reciclagem e estão tomando melhores decisões ambientalmente amigáveis. Ao adotar embalagens biodegradáveis, você traz os seguintes benefícios para você e para o meio ambiente:

1. Redução da pegada de carbono
Reduza a quantidade de carbono que sua empresa usa aproveitando as embalagens biodegradáveis. Estes geralmente são feitos com materiais reciclados, em oposição aos plásticos que usam produtos químicos agressivos. Isso torna as embalagens biodegradáveis uma alternativa muito mais segura para o meio ambiente.

O processo de fabricação reduz significativamente o desperdício, diminuindo o número de recursos consumidos. Esses esforços ajudam bastante na redução da pegada de carbono, ajudando as empresas a atender aos altos padrões de conformidade ambiental.

2. Sem plásticos prejudiciais
Os materiais de embalagem de plástico são muitas vezes à base de petróleo e, até agora, contribuíram principalmente para as questões ambientais . Você encontrará esses produtos em aterros sanitários, praias, hidrovias, estradas e parques. A fabricação dessas embalagens e materiais de transporte tradicionais também requer uma grande quantidade de energia e recursos, tornando essas soluções não sustentáveis.

O uso de embalagens biodegradáveis ajudará a reduzir a quantidade de plástico usada e descartada. Em última análise, você terá ajudado a minimizar os problemas de lixo relacionados ao uso de plásticos.

3. Facilidade de descarte
As empresas precisam garantir que o tipo de embalagem usada para seus produtos seja fácil de descartar. Embalagens biodegradáveis simplificam o descarte; portanto, é conveniente para os consumidores. Duas das melhores opções são embalagens recicláveis e embalagens biodegradáveis.

Normalmente, as embalagens biodegradáveis se decompõem por conta própria após o uso, sem a necessidade de recursos adicionais. Os consumidores preferem isso a outros materiais que têm um longo processo de descarte. As pessoas não se importam de pagar por essa conveniência.

4. Versatilidade
Este é mais um dos principais benefícios do uso de embalagens biodegradáveis. As soluções são muito versáteis e normalmente podem ser reaproveitadas para qualquer setor. Não importa se você precisa de embalagens biodegradáveis para embalar kits de refeições, dispositivos eletrônicos ou qualquer outra coisa – há uma opção de embalagem biodegradável disponível para atender às necessidades do seu negócio.

5. Sustentabilidade
Este último ponto é bastante óbvio, considerando que este é todo o propósito das embalagens biodegradáveis. A maioria dos materiais de embalagem biodegradáveis são redutíveis, reutilizáveis e recicláveis.

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Dicas para usar embalagens biodegradáveis

Para garantir que você aproveite ao máximo seus materiais de embalagem biodegradáveis, você precisa garantir que os esteja usando corretamente. Aqui estão as dicas para usar materiais de embalagem biodegradáveis:

1- Pense bem se você precisa de embalagem. Se seus produtos não precisam de embalagem, não há necessidade de desperdiçar recursos.

2- Como forma de fazer sua parte pelo meio ambiente, peça aos seus clientes que tragam embalagens que receberam antes das compras com você. Isso irá incentivá-los a mantê-lo seguro para uso posterior.

3- Seja sincero e mantenha sua palavra. Se você vender sua marca como uma que não produz resíduos plásticos, certifique-se de fazer exatamente isso. Os compradores se sentirão enganados se descobrirem que você mentiu.

Use material de embalagem adequado para o seu negócio.

O que falamos sobre os benefícios do uso de materiais de embalagem biodegradáveis é apenas a ponta do iceberg. Eles fazem um trabalho ainda melhor do que os plásticos e não há dúvida de que são a melhor opção para as necessidades de embalagem de uma empresa.

Como proprietário de uma empresa, é sua responsabilidade ajudar a conservar recursos reduzindo o número de materiais necessários para fabricar novas embalagens. Proteja o meio ambiente reduzindo os níveis de poluição no ar, nas águas subterrâneas e no solo.


Fonte: www.conserve-energy-future.com

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Edital do FNMC contempla projetos e estudos para mitigação e adaptação às mudanças do clima

Edital do FNMC contempla projetos e estudos para mitigação e adaptação às mudanças do clima

Propostas de municípios ou consórcios públicos municipais podem ser apresentadas até 31 de agosto na Plataforma +Brasil

Foto: Thiago Foresti

Municípios ou consórcios públicos municipais podem participar da seleção de propostas pelo Fundo Nacional sobre Mudança do Clima (FNMC) para apoio financeiro não reembolsável a projetos e estudos para mitigação das emissões de gases de efeito estufa e adaptação aos efeitos das mudanças climáticas.

As propostas podem ser apresentadas até 31 de agosto. O valor de cada proposta deverá ser no mínimo de R$ 262.990,00 e no máximo de R$ 525.980,00, podendo prever despesas correntes ou de capital, mas não poderão contemplar obras.

Os proponentes deverão contribuir para os projetos ou estudos com uma contrapartida financeira, proporcional ao montante de recursos necessários para a execução da proposta.

Os projetos devem se enquadrar em um dos 10 temas propostos no edital, entre eles estão redução de emissões de gases de efeito estufa; recuperação de áreas degradadas e restauração florestal; mobilidade urbana e transporte eficiente de baixa emissão de carbono e criação, recuperação e ampliação das áreas verdes urbanas.

As propostas devem ser preenchidas e enviadas exclusivamente via Plataforma +Brasil (https://www.gov.br/plataformamaisbrasil/pt-br) no Programa 4490220220001.

Mais informações estão disponíveis no Edital 1/2022 FNMC, que pode ser consultado no link https://www.gov.br/mma/pt-br/assuntos/noticias/edital-do-fnmc-contempla-projetos-e-estudos-para-mitigacao-e-adaptacao-as-mudancas-do-clima

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Sobre o Fundo Clima

Vinculado ao Ministério do Meio Ambiente (MMA), o FNMC disponibiliza recursos em duas modalidades, reembolsável e não-reembolsável. Os recursos reembolsáveis são administrados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Os recursos não-reembolsáveis são operados pelo MMA.
O Fundo é administrado por um Comitê Gestor presidido pelo Secretário-Executivo do MMA. Desde sua criação, foram apoiados 62 projetos na modalidade não reembolsável.

Fonte: Ascom MMA

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Corpo de Bombeiros alerta para incêndios florestais neste período

Corpo de Bombeiros alerta para incêndios florestais neste período

Situação se agrava durante o período de estiagem, de maio a outubro

Fotos: divulgação do Corpo de Bombeiros
Fotos: divulgação do Corpo de Bombeiros

Com a chegada do inverno, período considerado mais seco, e também com os festejos juninos e julinos, incêndios florestais ficam mais frequentes. Diante dos riscos, o Corpo de Bombeiros do estado do Rio de Janeiro alerta para práticas ilegais que podem ocasionar queimadas, como soltar balões.

Dados do Corporação mostram que só de janeiro a maio deste ano, a Corporação já atendeu 3.666 ocorrências relacionadas a fogo em vegetação no estado do Rio de Janeiro. Em todo ano de 2021, foram 13.679 atendimentos pelo mesmo motivo, sendo mais da metade deles realizados justamente no segundo semestre. Os números não foram muito diferentes em 2020. Em 12 meses aconteceram 13.674 ocorrências.

“A situação se agrava durante o período de estiagem, de maio a outubro, quando as condições atmosféricas, como a baixa umidade relativa do ar e a temperatura característica do período, favorecem os incêndios florestais por conta da vegetação mais seca”, informou a assessoria da Corporação.

Apesar de não ter dados específicos de incêndios relacionados diretamente a soltura de balões, o Corpo de Bombeiros também aproveita esta época para intensificar os alertas sobre esta prática criminosa.

“Quem vê balões voando pelo céu nem sempre conhece os riscos que carregam e as tragédias que podem causar. Por serem feitos da combinação de estopa com materiais inflamáveis (parafina e querosene ou álcool) aquecidos em seu interior – independente do tamanho -, os balões entram em correntes de ar e são levados para locais imprevisíveis, impossíveis de monitorar. Dependendo de onde caiam causam danos irreparáveis, ferindo pessoas, atingindo redes elétricas, causando explosões e incendiando matas”, alertou o Corpo de Bombeiros, por meio de sua assessoria.

O artigo 42 da Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/98) diz que fabricar, vender, transportar ou soltar balões pode levar a pessoa à detenção de um a três anos, ou multa, ou ambas, cumulativamente. Além da pena, vale ressaltar que os crimes ambientais são inafiançáveis.
Para denunciar, ligue para o 193 ou no Linha Verde, um programa do Disque Denúncia: os telefones são 0300 253 1177 (para o interior, a custo de ligação local), 2253 1177 (para a capital), ou por meio do aplicativo para celulares “Disque Denúncia RJ”.

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ICMBio alerta: Varíola dos macacos é transmitida somente entre humanos

ICMBio alerta: Varíola dos macacos é transmitida somente entre humanos

Instituto orienta que os primatas não devem sofrer retaliações e, em casos suspeitos, devem ser acionados os órgãos competentes

Foto: Agência Brasil
Foto: Agência Brasil

Recentemente, a população mundial passou a ser informada sobre novos casos da varíola dos macacos em 22 países fora do continente africano e no Brasil, uma doença zoonótica causada pelo vírus Mokeypox, do gênero Orthopoxivirus.

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), junto a demais entidades de proteção do meio ambiente e da biodiversidade, alertam que, apesar do nome, não há participação de macacos nas transmissões identificadas até o momento, com contaminação entre pessoas.

Os primeiros casos foram apontados à Organização Mundial da Saúde (OMS) no dia 13 de maio deste ano. Até o momento, as autoridades sanitárias não identificaram o animal ou mesmo o local de origem da doença. Com as transmissões comunitárias humano-humano, essa forma de contágio passa a ser o fator relevante para o estabelecimento de medidas de controle, segundo as autoridades.

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Destaca-se, portanto, segundo o Instituto, que os primatas não-humanos não são os principais responsáveis pela disseminação da doença, mas, sim, vítimas como os humanos, com adoecimento precoce, antecipando o alerta sobre o impacto para a humanidade. Os primatas não devem sofrer retaliações e, em casos suspeitos, devem ser acionados os órgãos competentes.

“Os macacos têm papel importante na manutenção de florestas, na polinização, dispersão de sementes nativas, controle de pragas e ainda auxiliam na manutenção da saúde ambiental e humana”, destacou em nota o ICMBio, publicada em seu site oficial.


Vírus menos severo

A varíola humana foi erradicada mundialmente após a década de 1980, já o vírus Monkeypox, causador da varíola dos macacos, apresenta transmissão menor e com severidade branda.

Atualmente, foram identificados casos na Alemanha, Argentina, Austrália, Áustria, Bélgica, Canadá, Dinamarca, Emirados Árabes, Eslovênia, Espanha, Estados Unidos, Finlândia, França, Holanda, Israel, Itália, México, Portugal, Reino Unido, República Tcheca, Suécia e Suíça. Alguns casos suspeitos estão em investigação no Brasil.

Fonte: Agência Brasil

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Mortes de Bruno Araújo e Dom Phillips expõem ameaça constante a ativistas ambientais

Mortes de Bruno Araújo e Dom Phillips expõem ameaça constante a ativistas ambientais

Brasil já é conhecido mundialmente como o quinto país mais perigoso para quem luta em prol do meio ambiente

Morrer por defender o meio ambiente. Este foi mais uma vez o destino de dois ativistas que tiveram suas vozes caladas pela violência. A brutalidade contra o indigenista Bruno Araújo Pereira e o jornalista inglês Dom Phillips na região do Vale do Javari, no oeste do Amazonas, traz novamente à tona o que o mundo todo já sabe sobre o Brasil: o país é o quinto no planeta mais perigoso para ativistas ambientais, segundo o balanço da ONG Global Witness, divulgado em 2019.

A morte da dupla tem ecoado internacionalmente e a Organização da Nações Unidas (ONU) emitiu um comunicado lamentando o caso e apelando ao governo brasileiro para ampliar a segurança de ativistas que atuam na defesa de povos indígenas e do meio ambiente.

No texto assinado pela porta-voz do escritório, Ravina Shamdasani, a ONU denuncia que “os ataques e ameaças contra os defensores dos direitos humanos ambientais e os povos indígenas, incluindo os que se encontram em isolamento voluntário, continuam a ser persistentes”, e que a proteção a essas pessoas precisa ser reforçada.

“Entristece-nos profundamente a informação sobre o assassinato de Dom Philipps e Bruno Araújo Pereira”, disse o Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos.

“Este brutal ato de violência é terrível e apelamos às autoridades do Estado para que assegurem que as investigações sejam imparciais, transparentes e minuciosas, e que seja concedida reparação às famílias das vítimas”, cobra a agência liderada pela chilena Michelle Bachelet.

“Exortamos as autoridades brasileiras a aumentar os seus esforços para proteger os defensores dos direitos humanos e os povos indígenas de todas as formas de violência e discriminação, tanto por atores estatais como não estatais, e a tomar medidas para prevenir e proteger os territórios indígenas de incursões de atores ilegais, incluindo o reforço dos organismos governamentais responsáveis pela proteção dos povos indígenas e do ambiente (Funai e Ibama)”, completa.

Antes, a ONU já havia criticado a resposta “extremamente lenta” das autoridades brasileiras nas primeiras horas do desaparecimento de Bruno Pereira e Dom Phillips.

Dados ONG Global Witness, divulgado antes da pandemia, mostram que pelo menos 164 ativistas ambientais foram mortos em 2018 por defender suas casas, terras e recursos naturais contra projetos de mineração, florestais ou agroindustriais.

Segundo o relatório outros “incontáveis” ativistas foram silenciados em todo o mundo por meio de violência, intimidação e uso ou modificação de leis anti-manifestação.

O país mais perigoso para esses ativistas e líderes indígenas que defendem suas terras foi as Filipinas, com 30 assassinatos, mas o Brasil, na quinta colocação, não fica muito atrás dos demais com 20 mortes.

Um relatório preliminar do Centro de Documentação da Comissão Pastoral da Terra (Cedoc-CPT), elaborado até maio deste ano, revelam que, só em 2022, 19 pessoas foram assassinadas em conflitos no campo no Brasil. Segundo o site G1, a título de comparação, em todo o ano de 2021 foram registrados 35 homicídios. Os novos dados ainda consideram o caso do indigenista e do jornalista.

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“A vulnerabilidade é total”

Para a jornalista e ativista de Direito Animal e Ambiental, Thaís Tostes, casos como o do indigenista Bruno Araújo Pereira e o jornalista inglês Dom Phillips colocam pessoas como ela em uma situação de insegurança, de vulnerabilidade.

“O Brasil tem um índice muito alto de assassinatos de ativistas e de jornalistas e não é dada muita mídia. A vulnerabilidade é total, não tem nada que nos ampare e eu não acredito que algum órgão possa realmente dar este suporte. Eles não vão dar segurança 100% para a gente, uma hora a gente vai estar sozinho, porque o Estado, não consegue dar este suporte, nem o mínimo eles conseguem dar”, destacou Tostes.

A jornalista e ativista de Direito Animal e Ambiental, Thaís Tostes

Para a jornalista e ativista de Direito Animal e Ambiental, Thaís Tostes, casos como o do indigenista Bruno Araújo Pereira e o jornalista inglês Dom Phillips colocam pessoas como ela em uma situação de insegurança, de vulnerabilidade.

“O Brasil tem um índice muito alto de assassinatos de ativistas e de jornalistas e não é dada muita mídia. A vulnerabilidade é total, não tem nada que nos ampare e eu não acredito que algum órgão possa realmente dar este suporte. Eles não vão dar segurança 100% para a gente, uma hora a gente vai estar sozinho, porque o Estado, não consegue dar este suporte, nem o mínimo eles conseguem dar”, destacou Tostes.

Ainda segundo ela, este cenário de insegurança muitas vezes até desanima em exercer a profissão de jornalista.

“A gente às vezes pensa em fazer uma matéria, uma reportagem especial, como eu mesma já tive a oportunidade de ir para a Amazonia, mas a gente fica apreensiva. Sabe que não pode falar sobre tudo e isso é muito triste. Queria estar e uma condição mais segura, de estar fazendo um jornalismo na raiz, que é a denúncia destes processos de opressão, que permeiam a sociedade. O jornalismo é isso, é essa raiz, então às vezes a gente nem consegue exercer a profissão mais. Como você vai estar atuando como deveria em um país que mata facilmente?”, questionou.

Como ativista de Direito Animal e Ambiental, Thaís diz ver cada vez mais Projetos de Lei tramitando a favor da destruição ambiental, da fauna, da flora.

“Você vê estes processos de opressão acontecendo, com tribos indígenas sumindo inteira e o garimpo entrando, tudo sendo tomado por estes grupos latifundiários e a gente acaba não tendo como denunciar, porque no outro dia você pode estar morto”, completou.
Sobre a brutalidade cometida contra o indigenista Bruno Araújo Pereira e o jornalista inglês Dom Phillips, Thaís Tostes espera que o caso tome força internacional, que garanta proteção verdadeira a ativistas ambientais.

“Espero que seja feito Justiça para esses dois. Que a gente consiga esforços internacionais verdadeiros, porque, sempre que acontecem mortes assim, a gente vê alguns órgãos se mobilizando, mas no fim das contas não dá em nada. Que seja jogado luz nesta questão, porque o Brasil ser um dos países que mais mata ativistas e jornalistas e não se vê falar disso como se deve, é um absurdo”, finalizou.

Sobre o caso

O indigenista Bruno Araújo Pereira e o jornalista inglês Dom Phillips, correspondente do jornal The Guardian no Brasil estavam desaparecidos desde 5 de junho, no oeste do Amazonas, região onde está reserva indígena do Vale do Javari, a segunda maior do país, com mais de 8,5 milhões de hectares.

De acordo com a coordenação da União das Organizações Indígenas do Vale do Javari (Univaja), Bruno Pereira e Dom Phillips chegaram na sexta-feira (3) no Lago do Jaburu, nas proximidades do rio Ituí, para que o jornalista visitasse o local e fizesse entrevistas com indígenas.

Segundo a Unijava, no domingo (5), os dois deveriam retornar para a cidade de Atalaia do Norte, após parada na comunidade São Rafael, para que o indigenista fizesse uma reunião com uma pessoa da comunidade apelidado de Churrasco. No mesmo dia, uma equipe de busca da Unijava saiu de Atalaia do Norte em busca de Bruno e Dom, mas não os encontrou e eles foram dados como desaparecidos.

As investigações iniciais apontam que a dupla foi capturada por pescadores ilegais que teriam sido flagrados pelos dois em áreas indígenas de proteção.

A Polícia Federal confirmou que foram encontrados restos mortais durante as buscas que foram realizadas com a presença do pescador Amarildo da Costa de Oliveira, conhecido como “Pelado”. Ele confessou a participação no desaparecimento e indicou o local onde os corpos foram enterrados. Um irmão do suspeito também foi detido.

Diante da confissão, a PF foi até o local, onde foi realizada a reconstituição da cena do crime. Durante as escavações, as equipes encontraram remanescentes humanos em uma área de mata fechada. Antes, pertences dos dois já haviam sido localizados, como roupas e equipamentos. A lancha teria sido afundada, mas ainda não havia sido localizada até a manhã desta sexta-feira (17).

As investigações continuam para apuração da suposta participação de mais pessoas no desaparecimento e para encontrar o barco utilizado pelos suspeitos para executar o crime.
Os remanescentes humanos encontrados durante as buscas foram levados para o Instituto Nacional de Criminalística, em Brasília, onde já ocorreu a confirmação de uma das identidades.

Ameaças

Bruno Pereira, servidor licenciado da Fundação Nacional do Índio (Funai), já havia denunciado que estaria sofrendo ameaças na região, informação confirmada pelo superintendente da PF, que explicou que a denúncia havia sido apresentada há cerca de um mês, mas sem indicação de suspeitos.

“Crimes de ameaça nós precisamos de uma manifestação da vítima, representando que ela deseja que o suspeito seja investigado, senão não podemos agir. Temos essa informação [de que houve ameaças], mas [isso] depende de que algumas diligências sejam realizadas”, acentuou.

Nos últimos tempos, Bruno Pereira vinha atuando como colaborador da União das Organizações Indígenas do Vale do Javari (Univaja), uma entidade mantida pelos próprios indígenas da região, por isso ele estava licenciado da Funai.

O Vale do Javari concentra 26 etnias indígenas, a maioria com índios isolados ou de contato recente. Além disso, fica na fronteira com o Peru e é rota de circulação do tráfico internacional de drogas. Uma região considerada perigosa pelas autoridades.

“É uma região de uma criminalidade intensa, tráfico de drogas transnacional, sabemos da ocorrência de garimpo ilegal, exploração ilegal de madeira, pesca ilegal”, afirmou o superintendente da Polícia Federal no Amazonas, delegado Eduardo Fontes
Pesar

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Luiz Fux, demonstrou pesar diante da confirmação do assassinato do indigenista e do jornalista. Fux informou que o caso será acompanhado por um grupo de trabalho do conselho.
“Em nome dos observatórios e do grupo de trabalho, o ministro Luiz Fux manifesta extrema tristeza pelos acontecimentos e afirma às famílias e aos amigos que a luta do indigenista e do jornalista para garantia dos direitos humanos e da preservação da Amazônia jamais será esquecida”, declarou.

Em nota, a Câmara de Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais do Ministério Público Federal (MPF) declarou que o Estado brasileiro não pode tolerar atos de violência contra defensores dos direitos humanos.

“Cientes da gravidade da situação, da dor e angústia de familiares e amigos do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips, expressamos nossa solidariedade ao tempo que reafirmamos o compromisso do Ministério Público Federal de continuar acompanhando e agindo em conformidade com suas atribuições, na busca da completa elucidação dos fatos e da garantia dos direitos indígenas”, declarou o órgão.

Com informações da ONU e Agência Brasil.

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Vem Passarinhar Caparaó tem observação de 29 espécies de aves

Vem Passarinhar Caparaó tem observação de 29 espécies de aves

Entre os pássaros avistados no Parque Nacional estão alguns pouco vistos como o beija-flor-de-topete-verde

Foto: Naty Experiência Capixaba
Foto: Naty Experiência Capixaba
Foto: Naty Experiência Capixaba

A geada ainda tomava a vegetação do Parque Nacional do Caparaó, quando no último sábado (21), por volta das 7h, um grupo de nove pessoas partiu da portaria de Pedra Menina para a primeira edição do Vem Passarinhar na região capixaba.

A proposta era observar aves e, pelo menos, 29 espécies diferentes foram avistadas, algumas delas em mais de um exemplar. Entre os admiradores estavam uma pessoa de Juiz de Fora (MG), e outras de cidades do entorno do parque, como Espera Feliz (MG) e Divino de São Lourenço (ES), incluindo participantes da sede do município e do Patrimônio da Penha.

Para a coordenadora do Vem Passarinhar, Tatiana Pongiluppi, que é guia de turismo de observação de aves, o evento foi ótimo. “Mesmo com muito frio e tudo congelado, apareceram nove pessoas. Confesso que pra sete da manhã e nas condições que estavam, até que me surpreendi”, destacou.

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Estima-se que no Parque Nacional do Caparaó existam cerca de 370 espécies de aves. Porém, a observação no Vem Passarinhar de apenas 29 delas não desanimou os participantes, que com alguns equipamentos, como máquinas fotográficas, conseguiram registrar imagens e cantos em meio à mata.

“Vimos um número pequeno de espécies, porque a gente ficou mais observando aves em altitudes elevadas, onde já fica uma vegetação mata alta montana, nebular, campos de altitude… Então, esse tipo de ambiente tem uma menor diversidade de espécies, mas ao mesmo tempo são espécies super importantes, exclusivas deste tipo de ambiente e que ocorrem em poucas montanhas do Sudeste do Brasil”, afirmou Pongiluppi, que trabalha com ornitologia, pesquisa e conservação de aves há 16 anos, dedicando-se também à educação ambiental.

Entre os pássaros observados estão algumas espécies pouco vistas como o beija-flor-de-topete-verde. Também foram avistados o jacuguaçu, a pomba-asa-branca, o besourinho-de-bico-vermelho, entre outros.

Para conferir todas espécies observadas basta acessar o link:
https://ebird.org/checklist/S110854874

Beija-flor-do-topete-verde foi fotografado pelo Caio Brito
Foto: Geada no Parque foi registrada por Thiago Marnet
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Vídeos mostram que frio congelou nascentes no Parque Nacional do Caparaó

Vídeos mostram que frio congelou nascentes no Parque Nacional do Caparaó

Registros foram feitos durante subida ao Pico da Bandeira entre o sul Capixaba e MG

O frio chegou com tudo à região do Caparaó e vídeos que circulam na internet mostram que nascentes congelaram no Parque Nacional, entre o Espírito Santo e Minas Gerais.

Em um dos registros, um casal aparece nas imagens surpreso com o fenômeno, quando subia para o Pico da Bandeira. Quem também mostrou os campos geados e a água congelada foi o Jorginho Ecotrilhas, que compartilhou os registros feitos na manhã dessa sexta-feira (20) no perfil do Instagram do @ecotrilhasbrasil (Veja os vídeos na reportagem).

“Nestes mais de 20 anos que eu trabalho de guia aqui no Parque Nacional do Caparaó, eu nunca vi tanto gelo na minha vida. Foi o dia que eu mais vi gelo”, relatou Jorginho ao Rota Verde.

Uma massa de ar polar derrubou as temperaturas no ES e em outros Estados. No vídeo feito pelo casal, é possível ouvir o homem que a gravação foi feita por volta das 11h. A temperatura mínima no local chegou a uma média de 5ºC. Na cidade de Iúna, segundo o Incaper, a temperatura ficou em 8,6 °C.

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“Conforme estava previsto pela Coordenação de Meteorologia do Incaper, a madrugada de quinta-feira (19) foi a mais fria do ano, baseado nas medições das estações meteorológicas operadas pela rede de observações meteorológicas do Espírito Santo. A massa de ar de origem polar está avançando sobre o Estado e tem provocado um declínio acentuado nas temperaturas”, destacou Hugo Ramos, coordenador de Meteorologia do Incaper.

Neste sábado (21), o aviso de tempo frio permanece com o nível de atenção devido às condições meteorológicas favoráveis para ocorrência de declínio acentuado de temperatura, que podem resultar em temperaturas mínimas de até 5,0 °C, inferiores à média climatológica para o mês de maio.

Durante esse período, de acordo com Incaper, as condições são favoráveis para o risco de formação de geada na vegetação.

Para os próximos dias, a tendência é que as temperaturas continuem amenas no Espírito Santo por conta da atuação da massa de ar polar. Mais detalhes sobre a tendência da previsão para os próximos dias podem ser acessados em: meteorologia.incaper.es.gov.br

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Segundo maior felino da América é flagrado no Parque Estadual dos Três Picos

Segundo maior felino da América é flagrado no Parque Estadual dos Três Picos

Onça-parda foi registrada por armadilha fotográfica em Nova Friburgo

Uma onça-parda (Puma concolor) foi flagrada por armadilhas fotográficas no município de Nova Friburgo, na Região Serrana, dentro do território do Parque Estadual dos Três Picos (PETP), maior parque estadual do Rio de Janeiro.

O animal, símbolo da unidade de conservação administrada pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea), é o segundo maior felino do continente americano e está ameaçado pela expansão da interferência humana em seu habitat natural.

As imagens foram feitas no fim do mês de abril por uma das 20 armadilhas fotográficas espalhadas pelo território do parque na cidade da Região Serrana. “Temos hoje uma equipe altamente qualificada aliada a disponibilidade de diversos aparatos tecnológicos. Essa união nos permite uma atuação mais eficaz no que diz respeito à observação e conservação da fauna e flora fluminense”, afirmou o presidente do órgão ambiental, Philipe Campello.

Além da onça-parda, outras espécies também foram flagradas pelas câmeras dentro do território do parque, como o quati (Nasua nasua) e a ave inhambu-açu (Crypturellus obsoletus). No ano passado, um dos vídeos capturou um cachorro-do-mato (Cerdocyon thous) na caça de um tatu, opção alimentar até então desconhecida para a espécie.

“Esses registros são extremamente importantes para a observação e identificação de espécies e indivíduos. Através das armadilhas, podemos descobrir a quantidade de animais no local, seus hábitos alimentares e até mesmo se são animais solitários ou que vivem em grupo. Além disso, a presença da onça-parda no nosso território demonstra a existência de um ecossistema equilibrado e saudável dentro da unidade”, explicou o coordenador do Núcleo Três Picos, Rominique Schmidt.

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Sobre o parque

Com área aproximada de 65 mil hectares, o Parque Estadual dos Três Picos abrange partes dos municípios de Teresópolis, Guapimirim, Nova Friburgo, Cachoeiras de Macacu e Silva Jardim, na Região Serrana do Rio. Além do novo núcleo em Teresópolis, a unidade de conservação possui sede em Cachoeiras de Macacu, um núcleo de montanha em Nova Friburgo e um núcleo operacional em Guapimirim.

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Mãezona do Quilombo, dona Terezinha vê comunidade mudar com o Comitê Guandu

Mãezona do Quilombo, dona Terezinha vê comunidade mudar com o Comitê Guandu

A expressão popular “no coração de mãe sempre cabe mais um” se aplica perfeitamente à casa de dona Terezinha Antero Leite, de 74 anos. No casebre bem no meio do Quilombo Alto da Serra do Mar, no distrito de Lídice, em Rio Claro-RJ, na região do Comitê Guandu, as portas estão sempre abertas e nunca falta aquele cafezinho na chaleira em cima do fogão, acompanhado de uma batata doce cozida ou da broa de fubá. Coisa de mãe, não é mesmo?

Uma rotina compartilhada pela matriarca não só com os mais de 200 moradores do Quilombo, mas também com aqueles que visitam o local cheio de histórias e que passou a ganhar, segundo a própria comunidade, ainda mais visibilidade desde a implantação no local do programa Produtores de Águas e Florestas (PAF), idealizado e desenvolvido pelo Comitê Guandu. A atividade agrícola em consonância com a preservação do meio ambiente se tornou um grande atrativo.

Nas terras da antiga Fazenda Sertão do Sinfrônio, diante do olhar sereno e ao mesmo tempo expressivo de dona Terezinha, o verde ganha a imensidão dos 200,55 hectares de área conservada e outros 8 hectares de matas restauradas com o incentivo do Comitê Guandu por meio do PAF.

Mas antes de saber um pouco mais sobre esta relação de sucesso entre o Comitê e o Alto da Serra do Mar, é preciso conhecer sobre a história da comunidade quilombola, marcada no passado principalmente pelo trabalho degradante da exploração e produção de carvão. Quem ajuda a contar a transformação vivida nas terras é o Benedito Bernardo Filho Leite Filho, 51 anos, o Bené, filho de dona Terezinha e do senhor Benedito Leite, o Dito, patriarca do Quilombo.

 

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Basta poucos instantes de conversa com Bené para saber como a referência dos pais é forte na vida dele e no trabalho que desenvolve no Quilombo.

“Eles são considerados os patriarcas. Minha mãe é uma pessoa muito respeitada, uma espécie de conselheira do Quilombo. A casa dela é como um centro de acolhimento. Todas as crianças passam por lá, gostam de comer a comida dela. Tem cafezinho na chaleira o dia inteiro. Todos chegam a qualquer hora e tomam. É uma pessoa que passa tantos saberes para os mais novos. Ela gosta de falar isso, gosta de falar da história dela, do crescimento dela no Quilombo desde pequena. Da luta para chegar até onde chegou”, contou Bené.

Mãe de 11 filhos, dois deles já falecidos, e avó de mais de 30, dona Terezinha não esconde o orgulho de ser uma referência para o Quilombo, onde mora a maioria dos seus familiares. Mesmo aquelas pessoas que não tem grau de parentesco a veem como a mãezona da comunidade.
“Eu considero todos do Quilombo como se fossem meus filhos. Me sinto feliz por ter uma família sempre do meu lado, meus filhos, meus netos e sobrinhos”, disse dona Terezinha.

“Fuga da escravidão”

A história dela se mistura com a do Quilombo, lugar que habita desde os três anos de idade. A comunidade surgiu depois que famílias saíram fugidas do trabalho análogo à escravidão da região de Bananal no interior paulista para Rio Claro, segundo Bené, nos anos de 1950. Elas trabalhavam com a exploração do café, palmito e madeira para carvão e recebiam de volta apenas comida. Mas, o problema enfrentado lá só mudou de lugar. No interior do Rio, sofreram também com os atravessadores e depois os grileiros.

“Meus pais chegaram à região junto com a primeira geração para fugir da escravidão. Vieram em busca de uma vida melhor em Rio Claro, no alto da Serra e também se depararam com a mesma atividade até o início da década de 90 quando foi enfraquecendo a exploração do carvão. Depois enfrentaram os grileiros que diziam ser donos das terras e tivemos que resistir”, comentou Bené.

Foi neste cenário de luta que dona Terezinha se tornou dona de casa aos dez anos de idade, quando na separação dos seus pais passou a ser responsável pelos afazeres do lar.

“Os pais delas se separaram e ela foi criada pelo pai. Virou dona de casa cedo para cuidar dele e dos irmãos. Mesmo depois de casar com meu pai, ela continuou cuidando das coisas do pai dela. Enfrentou dificuldade para criar os filhos… não era fácil. Hoje ela leva uma vida um pouco mais tranquila, se comparada com os anos dificuldade para criar todos os filhos. Até na hora do nascimento era difícil. Na época da minha geração não tinha médico no Quilombo. A nossa própria tia Sebastiana que era a parteira”, afirmou Bené, ressaltando também todo o cuidado que a mãe tem com o marido Dito, com quem já está casada há 57 anos.

Mesmo em meio às dificuldades, dona Terezinha transformou tudo em amor, principalmente com a culinária. Por ter aprendido a cozinhar bem cedo, faz coisas saborosas, como doces e outros pratos típicos, como a galinha com quiabo ou aipim, além do angu com aquele tempero incomparável, que fazem da casa dela e seu Benedito a parada certa para quem vai conhecer o Quilombo. Tudo ainda mais especial pelo sorriso receptivo da matriarca.

“Ela faz questão de trabalhar muito ainda. Com 74 anos, ela faz doces, cuida da casa, das criações. Ela não para! É o dia inteiro assim. É muito ativa”, destacou o filho.

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PAF trouxe benefícios para além do meio ambiente

A luta pelo reconhecimento da comunidade como o Quilombo Alto da Serra do Mar também exigiu muito dos moradores, o que só ocorreu no ano de 2000 pela Fundação Palmares. A partir daí o lugar passou receber um pouco mais de atenção, segundo conta os quilombolas. Com o surgimento do Produtores de Águas e Florestas (PAF), em 2009 no município de Rio Claro, a comunidade foi uma das primeiras a ser beneficiada pelo programa pioneiro no ramo de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), criado pelo Comitê Guandu.

“A gente já conciliava a cultura da agricultura e preservação do meio ambiente. Mas, com a chegada do PAF, nós passamos a fazer isso com mais aperfeiçoamento. Foi um ganho muito grande, porque além de ganhar com a floresta, com a produção da água, que é um bem comum para todos, a área de preservação em nossa propriedade ajudou também na parte econômica. Esse programa nos trouxe muitas visitações, inclusive com pessoas que agendam para conhecer as áreas e o quilombo. Aproveitam para saber como é produzir e preservar ao mesmo tempo. Isso ajuda na venda dos nossos produtos, como doces, queijos e outros produtos da agricultura familiar. O turismo começou a ficar mais movimentado na nossa comunidade”, relatou Bené, elencando as receitas de sucesso que a mãe ensina às novas gerações, como a bananada sem açúcar, os doces de leite, mamão, abóbora e pêssego.

Com o PSA, são pagos anualmente cerca de R$ 11 mil à comunidade. Segundo Bené, que é o presidente da associação quilombola, tudo é investido em benefício do lugar, que, com o programa, teve até sua escola ampliada. Também são compradas sementes para o plantio do feijão, milho, aipim, abóbora e hortaliças. Os produtos cultivados são orgânicos e certificados pelo Ministério da Agricultura. A geração de renda com o aproveitamento da mão de obra local no plantio de mudas também é salientada por ele.

“A gente nem esperava que chegaria a este ponto, pensava que era somente preservar. O pensamento era: vamos preservar que a gente precisa de uma água boa e até com medo de faltar até para o consumo da comunidade. Nós nem pensávamos nas outras pessoas mais abaixo. Só que aí veio a consciência: se a gente precisa, quem está mais abaixo e não tem as nascentes dentro das suas propriedades dependem das nossas águas para sobreviver. E aí nós fomos tomando consciência na medida que íamos participando mais do projeto. Conseguimos restaurar nossas matas ciliares nos rios que estavam tudo descampados, restauramos nossas nascentes todas. As que estavam em situação precária, sem florestas, nós recuperamos a vegetação no entorno”, completou o líder comunitário.

A restauração da mata, de acordo com ele, trouxe de volta à área animais que há anos não eram vistos por lá. Além disso, garantiu também a permanência dos quilombolas mais jovens na comunidade, já que muitos se mudavam por falta de oportunidade. Para os mais velhos, é a certeza que toda luta tem valido muito à pena.

“Para os meus pais que viveram uma vida que não teve nem o privilégio de estudar, aprendendo tudo na prática, hoje eles veem a preservação do meio ambiente como um benefício, porque ao longo dos anos foram vendo as coisas acontecerem através do Programa Águas e Florestas”, destacou Bené.

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Modelo de sucesso

O Programa Produtores de Água e Floresta é desenvolvido dentro da agenda de infraestrutura verde do Comitê Guandu. A iniciativa já resultou na conservação e recuperação de mais de 5000 hectares de Mata Atlântica, até o momento, e já retribuiu aos produtores rurais locais em mais de dois milhões de reais.

De acordo com o gestor do programa de Produtores de Água e Floresta, Leandro Barros Oliveira, especialista em Recursos Hídricos da AGEVAP, o Quilombo Alto da Serra do Mar representa um dos vários exemplos de sucesso do PAF. “São pessoas que viveram muitos anos da produção de carvão vegetal e tiveram essa guinada para o ramo da conservação e restauração das florestas. A maior parte da propriedade é área de conservação”, destacou Leandro.

Com a aplicação do Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) e principalmente a conscientização e mudança de atitude da população local, o programa se tornou um exemplo consolidado, modelo para projetos dentro e fora do país.

“O PAF é um dos projetos de maior longevidade dentre as ações executadas com aporte de recursos do Comitê Guandu. Ele começou em 2009, no município de Rio Claro, sendo um programa pioneiro no ramo de PSA, que consiste no reconhecimento do proprietário rural como provedor de serviços ambientais e ecossistêmicos”, afirmou o gestor do programa.

A partir de 2018, o programa se expandiu para os municípios de Mendes, Engenheiro Paulo de Frontin e Vassouras.

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Comitê aposta na recuperação de nascentes e uso sustentável do solo

Comitê aposta na recuperação de nascentes e uso sustentável do solo

Expectativa é que reconhecimento da região como semiárida possa trazer também ganhos ambientais

Seca do Rio Paraíba no ano de 2013 – Foto César Ferreira

A criação de um fundo de desenvolvimento para atender a agropecuária de 22 municípios do Norte e Noroeste Fluminense, apontados como semiáridos, é vista também como uma possibilidade de investimentos na recuperação ambiental. A região pode ser beneficiada pelo, recém aprovado, Projeto de Lei 1440/2019, que prevê recursos a produtores a partir da mudança climática.

Especialistas ouvidos pelo Rota Verde em três reportagens anteriores são unânimes ao afirmar sobre a necessidade da implantação de práticas sustentáveis para minimizar os impactos provocados no campo pela degradação ambiental durante décadas.

A expectativa é que, a partir de recursos destinados, produtores rurais e pecuaristas possam ser motivados à recuperação de matas e nascentes, apostando por exemplo na agroecologia e na pecuária silvipastorial, um método que combina no mesmo espaço gado, árvores e pastos.

O Comitê Baixo Paraíba do Sul e Itabapoana acompanha os estudos meteorológicos feitos pela Universidade do Estadual do Norte Fluminense (UENF) e reconhece a falta de chuva na região, além dos impactos disso e a necessidade que haja o uso sustentável do solo.

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Integrado por vozes do poder público, da sociedade civil organizada e usuários de água bruta dos rios Paraíba e Itabapoana, o Comitê já vem elaborando ações que melhore a produção de água na sua bacia hidrográfica.

“Nós estamos focados em recuperação de nascentes. De lá que vem a nossa água. Estamos em processo de priorização de áreas que possam ser recuperadas para o plantio de árvores. Mas não é aleatório. A velocidade do escoamento da água, superficial, que cai da chuva é muito grande. Então, florestas em área de encosta, topo de morro e nascentes, impedem esse escoamento rápido da água, deixando ela infiltrada no solo. É esse processo que estamos envolvendo o Comitê”, destaca João Siqueira, diretor do Comitê Baixo Paraíba do Sul.

Ainda segundo ele, no ciclo hidrológico, a água evapora no mar, forma nuvens e o vento empurra até as áreas montanhosas, por isso não chove suficiente na região.

“O nosso vento empurra a chuva até a montanha no Noroeste ou em Minas e lá chove. De lá, vem para nós. Com a falta de cobertura do solo, essa água não infiltra. Ela bate, escorre e ganha a calha do rio e dali volta para o mar rapidamente. O interessante é que esta água infiltre no solo, que é um grande reservatório, seja guardada um tempo ali, vá escoando lentamente pelas nascentes e aí sim venha ganhar a calha do rio. Então, esse processo é alterado pela falta de florestas”, comenta João Siqueira.

Modelo de reflorestamento já garantiu 5 mil hectares de Mata Atlântica

As ações do Comitê Baixo Paraíba do Sul e Itabapoana em prol do meio ambiente da região independem do PL 1440/2019, já que os recursos disponíveis vêm do dinheiro arrecadado em níveis federal e estadual pelo uso da água dos rios por parte de empresas e instituições.

Exemplos dados por outros comitês de bacias, como o Guandu podem servir de modelo para a recuperação de florestas no Norte e Noroeste Fluminemse.

O Comitê, que pega parte da região metropolitana do Rio e centro sul do estado, vem mostrando na prática, desde 2009, como o incentivo à sustentabilidade já recuperou ou preservou mais de 5 mil hectares de Mata Atlântica com o programa Produtores de Água e Floresta (PAF).

O PAF é um dos primeiros projetos de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) do Brasil. Além de preservar o meio ambiente, os produtores rurais que fazem parte do PAF já receberam mais de RS 2,7 milhões em retribuição.

Isso sem contar, o aumento da renda familiar a partir de uma produção amparada por orientações técnicas e sustentáveis. Atualmente, o programa ampliou a sua atuação com os Sistemas Agroflorestais (SAFs), aliando espécies florestais e cultivos agrícolas. A agroecologia vem se destacando com a produção de alimentos orgânicos, por exemplo.

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