Projeto inédito em hidrogênio verde será implantado no Porto do Açu

Projeto inédito em hidrogênio verde será implantado no Porto do Açu

Planta-piloto será a primeira a entrar em funcionamento no Brasil

Apontado como uma alternativa para reduzir as emissões de gases e cuidar do planeta, o hidrogênio verde vem ganhando cada vez mais espaço no mundo. Neste caminho entrará também o Porto do Açu, em São João da Barra, no Norte Fluminense, que assinou com a Shell Brasil um Memorando de Entendimento (MoU, na sigla em inglês) para o desenvolvimento conjunto de uma planta-piloto de geração de hidrogênio verde nas instalações do porto.

O projeto, segundo as empresas, é pioneiro no Brasil e funcionará como um laboratório de pesquisa para desenvolver aprendizado, realizar testes de descarbonização e impulsionar essa indústria no País.

Os recursos para a construção da unidade vêm da cláusula de Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação (PD&I) da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que determina a aplicação obrigatória de um percentual da receita bruta da produção, em projetos que estimulem a pesquisa e a adoção de novas tecnologias no setor de energia. A Shell Brasil deverá investir entre US$ 60 milhões e US$ 120 milhões em PD&I em 2022.

A planta-piloto, que deverá ficar pronta em 2025, terá capacidade inicial de 10 MW podendo chegar a 100 MW, obedecendo o plano de expansão da unidade. Inicialmente, a energia elétrica oriunda da rede nacional será conectada à planta de eletrólise, que terá como principal produto o hidrogênio renovável. Parte deste hidrogênio gerado será destinado à armazenagem e posterior envio a potenciais consumidores. O hidrogênio remanescente é destinado à planta de geração de amônia renovável.

“Este é um projeto de imensa importância não somente para a Shell e seus parceiros, como para o Brasil. Almejamos com este piloto fomentar todo o desenvolvimento da cadeia de valor da geração de hidrogênio renovável, desde os fornecedores da tecnologia, passando pelo domínio da operação de planta até a formação de mão-de-obra especializada. Além disso, pretendemos viabilizar uma série de provas de conceito referente à descarbonização de setores. Será um verdadeiro laboratório de geração de conhecimento e valor tanto para a Shell quanto para o país,” declarou o presidente da Shell Brasil, André Araujo. A planta-piloto é mais um passo da Shell Brasil rumo à redução da pegada de CO2 de seus negócios, em linha com as metas do Acordo de Paris e com a estratégia Impulsionando o Progresso, lançada em fevereiro de 2021.

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“A assinatura desse acordo é um marco no desenvolvimento do mercado de hidrogênio verde no Brasil. A infraestrutura de classe mundial do Porto do Açu é um componente essencial para acelerar o desenvolvimento de projetos de baixo carbono e para a descarbonização da indústria. Estamos muito felizes em unir forças com a Shell e contribuir com os esforços de transição para uma economia de baixo carbono”, declarou José Firmo, CEO do Porto do Açu.

Globalmente, a Shell tem projetos de geração de hidrogênio na Alemanha, Países Baixos e China. O Porto do Açu é uma plataforma multinegócios, desenvolvida pela Prumo Logística, controlada pela EIG Energy Partners, investidor institucional líder no mercado global de energia e infraestrutura. O empreendimento portuário já possui projetos em hidrogênio verde, energia solar e eólica offshore.

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Norte Fluminense perde R$ 43 milhões em resíduos recicláveis por ano, revela estudo da Firjan

Norte Fluminense perde R$ 43 milhões em resíduos recicláveis por ano, revela estudo da Firjan

De 2019 para 2020, Campos quase triplicou o volume de resíduos coletados, e Macaé mais do que dobrou

O Norte Fluminense perde anualmente R$ 43,1 milhões em materiais que poderiam seguir o caminho da reciclagem e gerar recursos para os municípios. Este é um dos resultados do “Mapeamento dos Fluxos de Recicláveis Pós-Consumo no Estado do Rio de Janeiro – Norte Fluminense”, realizado pela Firjan, com o objetivo de contribuir para o fortalecimento do ciclo de reciclagem e seus impactos econômicos, sociais e ambientais. A estimativa é de que a região enviou para o aterro 98 mil toneladas de resíduos que poderiam seguir para reciclagem em vez de serem depositados em aterros sanitários.

O Mapeamento identificou ainda que a geração de resíduos sólidos urbanos no Norte Fluminense mais do que dobrou entre 2019 e 2020. No período, o volume de resíduos sólidos urbanos (RSU) coletado na região saiu de 237 mil toneladas para 499 mil (+110,7%). Mas as realidades de cada município são bem distintas: só Campos coletou 300 mil toneladas (+189,4%), e Macaé 156 mil (+95,7%). Já Carapebus e São Fidélis reduziram para mais da metade a quantidade recolhida de um ano para outro – respectivamente, 2,6 mil (-66,9%) e 4,4 mil (-58,4%).

“O ciclo da reciclagem é mais do que um mercado milionário: é uma necessidade urgente que preserva o meio ambiente e promove melhoria nas condições de vidas das pessoas. Mas para isso é preciso atuar em conjunto, e assim desenvolver toda a cadeia produtiva da reciclagem”, destacou o presidente da Firjan Norte Fluminense, Francisco Roberto de Siqueira.

O estudo também identificou um percentual significativo da população não atendida pela coleta regular de resíduos sólidos urbanos: Cardoso Moreira tem nada menos que 30,5%, seguido por São Fidélis (21%) e Carapebus (9,6%). São Fidélis ainda declarou encaminhar parte do RSU para um lixão em 2020 (580 toneladas em um mês). Em 2021, este ponto de descarte da cidade passou a constar como inativo, segundo o mapa da Situação dos Aterros Sanitários da Secretaria Estadual do Ambiente e Sustentabilidade (SEAS).

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Coleta seletiva em baixa

O estudo também identificou falta de informações sobre coleta seletiva – apenas duas cidades declararam realizar alguma modalidade: Campos e Carapebus, o que deixa o índice regional em 0,5% do total de resíduos urbanos coletados – a mesma (baixa) média estadual. Mas, das duas cidades, apenas Campos declarou o volume coletado em 2020 (2.691 toneladas), e nenhum município informou realizar coleta seletiva de porta em porta. A conclusão do estudo é que “a inexistência de cooperativas de catadores formais pode estar relacionada à baixa adesão do poder público a modelos de coleta seletiva”.

“O volume gerado do resíduo sólido urbano é bem expressivo e merece atenção pelo seu grande potencial de aproveitamento e redução dos impactos ambientais”, destaca Carolina Zoccoli, especialista em Sustentabilidade da Firjan.

De acordo com o mapeamento, para que os resíduos pós-consumo tenham a melhor destinação possível, é preciso criar uma rede de infraestrutura e incentivar negócios que viabilizem a triagem e o beneficiamento. As recomendações, entre outras, são a criação de incentivos para a segregação do reciclável na origem, a desburocratização das atividades relacionadas à reciclagem, o desenvolvimento de ações para a formalização dos atores da cadeia da reciclagem e ações para atração de novos investimentos no setor.

Região exportadora de recicláveis

Já as empresas do Norte Fluminense geraram cerca de 7,9% dos resíduos pós-consumo oriundos de grandes geradores do estado. Considerando-se apenas os materiais segregados por tipo – metal, papel e papelão, plástico e vidro –, a região responde por 10,4% da geração, atrás apenas da capital e de Caxias e Região. Mas, apesar disso, o Norte Fluminense processa apenas cerca de metade do volume gerado, o que faz da região uma grande exportadora de materiais que poderiam ser reaproveitados para gerar riqueza aos municípios da região.

Quando as empresas geram um volume maior que o limite determinado pelo município para que possam utilizar a coleta pública, elas devem contratar um serviço para fazer o descarte. “É muito importante as empresas destinarem separadamente os resíduos para que o setor de reciclagem os recupere. Se a empresa se organiza para separar os recicláveis gerados nos seus ambientes administrativos, por exemplo, e encaminhá-los para cooperativas de reciclagem, ela vai reduzir o volume pelo qual precisa pagar para destinar pela coleta terceirizada”, acrescenta Renata Rocha, analista de Sustentabilidade da Firjan.
A conclusão do estudo é que “o estabelecimento de cooperativas e a identificação de indústrias capazes de internalizar os recicláveis em seus processos produtivos pode aumentar o aproveitamento desse material, com benefícios ambientais e econômicos”.

Sobre o estudo

O percentual de municípios que reportaram dados sobre resíduos às bases de dados oficiais subiu de 69,57%, em 2019, para 91,30%, em 2020. Os dados são um aprofundamento de estudo da Firjan divulgado no ano passado, que revelou que o estado do Rio enterra anualmente R$ 1 bilhão em materiais que poderiam seguir para a reciclagem. Realizado com base em dados públicos oficiais de órgãos ambientais, o estudo investigou a trajetória dos recicláveis pós-consumo (ou seja, materiais que saíram do ambiente produtivo e tornaram-se resíduos após o uso final, provenientes tanto de domicílios como de geradores empresariais). Com isso, a intenção é fornecer – aos investidores, gestores empresariais, formuladores de políticas públicas e outros tomadores de decisão – subsídios para a transformação do Rio em um estado reciclador e valorizador do material pós-consumo descartado.

Os resultados já foram apresentados nas representações regionais da Firjan Centro-Sul e Nova Iguaçu e serão levados também para todas as regiões. O setor empresarial está sendo ouvido para sugerir boas práticas que possam ser compartilhadas entre as regiões. “Estamos trabalhando na divulgação e debate dos resultados junto a formadores de opinião e formuladores de políticas. Nos fóruns em que temos assento, temos incluído aprimoramentos em normas e regulamentos que desburocratizam as etapas da reciclagem no estado”, informa Isaac Plachta, presidente do Conselho o Empresarial de Meio Ambiente da Firjan.

O estudo estava previsto no Caderno Regional de Ações Prioritárias para o Desenvolvimento do Norte Fluminense, que reúne o posicionamento do Conselho Empresarial da Firjan Norte e as propostas para o desenvolvimento da região de 2021 a 2024.

O estudo completo está disponível no link: www.firjan.com.br/reciclagem

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Energia renovável pode tirar o mundo da crise climática, diz Guterres da ONU

Energia renovável pode tirar o mundo da crise climática, diz Guterres da ONU

Relatório descreve sinais ainda mais claros de que a atividade humana está causando danos em escala planetária

As concentrações de gases de efeito estufa, a elevação do nível do mar, o aquecimento e acidificação dos oceanos tiveram novos recordes em 2021, de acordo com o último relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM), publicado na última quarta-feira.

O relatório ‘Estado do Clima 2021’ indica que o clima extremo – causado pelas mudanças climáticas – custou vidas, insegurança alimentar e crise hídrica, levando a uma perda econômica de centenas de bilhões de dólares no último ano.

O relatório, que descreve sinais ainda mais claros de que a atividade humana está causando danos em escala planetária – a terra, ao oceano e a atmosfera – também confirma que os últimos sete anos foram os mais quentes já registrados, com a temperatura global em 2021 atingindo cerca de 1,1 °C acima dos níveis pré-industriais.

“É apenas uma questão de tempo até vermos outro ano mais quente já registrado. Nosso clima está mudando diante de nossos olhos. O calor emitido pelos gases de efeito estufa aquecerá o planeta por muitas gerações”, alertou o chefe da OMM, Petteri Taalas. “A elevação do nível do mar, aqueciemento dos oceanos e a acidificação continuarão por centenas de anos, a menos que sejam criadas formas de retirar o carbono da atmosfera”.

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Um plano para energias renováveis

O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que o tempo está se esgotando para evitar os piores impactos da crise climática, mas há uma ‘salvação’ bem na frente de nós.

“Devemos acabar com a poluição por combustíveis fósseis e acelerar a transição para energia renovável antes de destruir a nossa única casa”, enfatizou em uma mensagem de vídeo. Destacando que as tecnologias de energia renovável, como a eólica e a solar, estão prontamente disponíveis e, na maioria dos casos, mais baratas que o carvão e outros combustíveis fósseis, o chefe da ONU propôs cinco ações para impulsionar a transição energética, que ele chamou de “projeto de paz do século 21″.

1. Tratar as tecnologias de energia renovável como bens públicos globais essenciais
Isso significa remover os obstáculos do compartilhamento de conhecimento e transferência de tecnologia, incluindo as restrições de propriedade intelectual.
Guterres pediu uma nova coalizão global sobre armazenamento de baterias liderada por governos e reunindo empresas de tecnologia, fabricantes e financiadores para acelerar a inovação e a distribuição.

2. Garantir, ampliar e diversificar os componentes de fornecimento e matérias-primas para tecnologias de energia renovável
As cadeias de fornecimento de tecnologia de energia renovável e matérias-primas estão concentradas em alguns países, e é necessária mais coordenação internacional para superar esse obstáculo.

3. Construir estruturas e reformar as burocracias dos combustíveis fósseis
O chefe da ONU está pedindo aos governos que agilizem e otimizem as aprovações de projetos solares e eólicos, modernizem as redes e estabeleçam metas ambiciosas de energia renovável que forneçam segurança a investidores, desenvolvedores, consumidores e produtores.

4. Alterar os subsídios dos combustíveis fósseis
A cada ano, governos de todo o mundo gastam cerca de meio trilhão de dólares para reduzir artificialmente o preço dos combustíveis fósseis – mais do que o triplo dos subsídios concedidos às energias renováveis.

“Enquanto as pessoas sofrem com os altos preços na bomba, a indústria de petróleo e gás está faturando bilhões em um mercado distorcido. Esse escândalo tem que parar”, destacou Guterres.

5. Investimentos privados e públicos em energia renovável devem triplicar
O chefe da ONU está pedindo um ajuste nas estruturas de risco e mais flexibilidade para aumentar o financiamento renovável. “É hora de impulsionar a transição para as energias renováveis antes que seja tarde demais”, pediu o secretário-geral.

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Emergência climática

O plano do chefe da ONU está muito atrasado, uma vez que o clima extremo continua a impactar milhões de vidas nas últimas semanas, como visto na emergência da seca no Chifre da África, as inundações fatais na África do Sul e o calor extremo na Índia e Paquistão.
O relatório Situação do Clima Global da OMM complementa a última avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), que incluiu apenas dados até 2019, e será usado como documento de negociação durante a próxima Conferência do Clima da ONU no Egito (COP 27) ainda este ano.

Aqui estão algumas de suas principais descobertas:
– Concentrações de gases de efeito estufa: Os níveis atingiram uma nova alta global em 2020 e continuaram a aumentar em 2021, com a concentração de dióxido de carbono atingindo 413,2 partes por milhão globalmente, um aumento de 149% em relação aos níveis pré-industriais.

– Aquecimento do oceano: Mais um recorde de alta. A profundidade superior de 2.000m da água do oceano continuou a aquecer em 2021 e espera-se que continue a aquecer no futuro – uma mudança que é irreversível e afeta profundamente os ecossistemas marinhos, assim como os recifes de coral.

– Acidificação do oceano: Em função do excesso de dióxido de carbono (CO2) que o oceano está absorvendo (cerca de 23% das emissões anuais), suas águas estão cada vez mais acidificadas. Isso tem consequências para os organismos e ecossistemas, e também ameaça a segurança alimentar e o turismo. A diminuição do nível de PH também significa que a capacidade do oceano de absorver CO2 da atmosfera também diminui.

– Elevação do nível do mar: O nível do mar aumentou um recorde de 4,5 mm por ano no período 2013-2021, principalmente devido à perda acelerada de massa de gelo das placas de gelo. Isso tem grandes implicações para as centenas de milhares de pessoas que vivem nos litorais, além de aumentar a vulnerabilidade aos ciclones tropicais.

– Criosfera: As geleiras do mundo que os cientistas usam como referência diminuíram 33,5 metros desde 1950, com 76% acontecendo desde 1980. Em 2021, as geleiras do Canadá e do noroeste dos EUA tiveram uma perda recorde de massa de gelo devido às ondas de calor e incêndios em junho e julho. A Groenlândia também experimentou um excepcional degelo em meados de agosto e a primeira chuva registrada em seu ponto mais alto.

– Ondas de calor: O calor quebrou recordes no oeste da América do Norte e no Mediterrâneo em 2021. Death Valley, Califórnia, atingiu 54,4 °C em 9 de julho, igualando um valor semelhante em 2020 como o mais alto registrado no mundo desde pelo menos a década de 1930, e Syracuse, na Sicília, atingiu 48,8 °C. Uma onda de calor na Colúmbia Britânica, no Canadá, causou mais de 500 mortes e provocou incêndios florestais devastadores.

– Inundações e Secas: As inundações causaram perdas econômicas de US$ 17,7 bilhões na província de Henan, na China, e 20 bilhões na Alemanha. Foi também um fator que levou a perda de vidas. As secas afetaram muitas partes do mundo, incluindo o Chifre da África, América do Sul, Canadá, oeste dos Estados Unidos, Irã, Afeganistão, Paquistão e Turquia. A seca no Chifre da África se intensificou até 2022. A África Oriental lida com a perspectiva muito real de que as chuvas vão falhar pela quarta temporada consecutiva, colocando a Etiópia, o Quênia e a Somália em uma seca de duração não experimentada nos últimos 40 anos.

– Segurança alimentar: Os efeitos combinados de conflitos, eventos climáticos extremos e choques econômicos, ainda mais exacerbados pela pandemia de COVID-19, minaram décadas de progresso para melhorar a segurança alimentar globalmente. O agravamento das crises humanitárias em 2021 também levou a um número crescente de países em risco de fome. Do número total de pessoas desnutridas em 2020, mais da metade vive na Ásia (418 milhões) e um terço na África (282 milhões).

– Deslocamento: Desastres naturais relacionados à água continuaram a contribuir para o deslocamento interno. Os países com os maiores números de deslocamentos registrados em outubro de 2021 foram China (mais de 1,4 milhão), Filipinas (mais de 386.000) e Vietnã (mais de 664.000).

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